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Publicações: 16/6/2009 - 0 comentário(s) [ comentário ] - [ ]
Category: Blog Pessoal

 Agarro as palavras, arrasto-lhes o sentido,

 

pronuncio-as prudentemente,

 

silencio-lhes a aspereza e o mêdo,

 

pego-lhes de rompante,

 

como quem apanha uma serpente...

 

Viscosas, enrolam-se, estrangulam-me,

 

numa roda que gira entrecurtada

 

por silêncios que ruminam

 

sem propósito ou destino...

 

Rumo em direcção aos lugares

 

famintos de dôr e amor,

 

carentes de vida e de sonho...

 

Debruço-me donde vislumbrava

 

horizontes e marés...

 

Estemeço na vertigem,

 

irmã do abandono...

 

Olho-te no caminho da memória,

 

revejo a tua expressão,

 

sem vida...

 

Assusto-me nas palavras que não digo,

 

como quem ama em segredo...

 

Adormeço na tarde ainda quente

 

da tua presença colorida...

 

Adivinho a manhã que se recusa a nascer,

 

olhando a madrugada morta...

 

Abraço o vazio, num gesto sem nexo,

 

amarro memórias,

 

imagens, lugares, paisagens...

 

Recolho o último vestígio,

 

como quem emoldura

 

a sua própria imagem...

 

Ondulo o espanto no desencanto

 

do canto...

 

Navego na espuma dos dias

 

em busca de um navio fantasma...

 

 

 

 

 

Barão de Campos

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