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Publicações: 7/7/2010 - 0 comentário(s) [ comentário ] - [ ]
Category: Outros

 Nações Unidas , Nova Iorque, 2 de julho de 2010 - Em um movimento histórico, a Assembléia Geral da ONU votou por unanimidade hoje a criação de uma nova entidade para acelerar o progresso na satisfação das necessidades das mulheres e meninas em todo o mundo .

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A criação da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Género e Empoderamento da Mulher - a ser conhecido como a ONU Mulheres - é resultado de anos de negociações entre Estados membros da ONU e pelo movimento de defesa das mulheres no mundo . Faz parte da agenda de reforma das Nações Unidas , reunindo recursos e de mandatos de maior impacto.
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"Sou grato aos Estados-Membros , por ter este grande passo em frente para as mulheres do mundo e meninas ", disse o secretário-geral Ban Ki -moon, em umafirmação Congratulando-se com a decisão. " Mulheres da ONU vai aumentar significativamente os esforços da ONU para promover a igualdade de gênero, expandir as oportunidades e combater a discriminação em todo o mundo . "
Mulheres das Nações Unidas reúne e terá como base a importância do trabalho de quatro partes distintas anteriormente do sistema das Nações Unidas que se concentram exclusivamente em matéria de igualdade de gênero eo empoderamento das mulheres :

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" Felicito os dirigentes e funcionários da DAW, INSTRAW , osagi e UNIFEM para o seu compromisso com a causa da igualdade de género , vou contar com o seu apoio à medida que entramos numa nova era no trabalho da ONU para as mulheres ", disse o secretário-geral Ban . "Eu fiz a igualdade de gênero eo empoderamento das mulheres uma das minhas prioridades - de trabalhar para acabar com o flagelo da violência contra as mulheres, a nomeação de mais mulheres a altos cargos , os esforços para reduzir as taxas de mortalidade materna ", observou .
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Durante muitas décadas , a ONU fez progressos significativos na promoção da igualdade de género , nomeadamente através de acordos marco, tais como a Declaração de Beijing e Plataforma de Acção e da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres. A igualdade de gênero não é apenas um direito básico do ser humano mas a sua concretização tem enormes implicações socio- económicas. Empoderamento das mulheres combustíveis próspera economia , estimulando a produtividade eo crescimento .
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No entanto, as desigualdades de gênero permanecem profundamente arraigados em cada sociedade. Mulheres em todas as partes do mundo sofrem violência e discriminação, e estão sub-representadas em processos decisórios . Altas taxas de mortalidade materna continuam a ser motivo de vergonha global. Por muitos anos , a ONU tem enfrentado sérios desafios nos seus esforços para promover a igualdade de gênero no mundo, incluindo o financiamento inadequado e não controlador única reconhecida para dirigir as actividades da ONU em questões de igualdade de gênero.
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Mulheres das Nações Unidas - que estará operacional em Janeiro de 2011 - foi criado pela Assembléia Geral para tratar desses desafios . Será um campeão dinâmico e forte para as mulheres e meninas , proporcionando-lhes uma voz poderosa , a nível global , regional e local. Vai melhorar , e não substituir , os esforços de outras partes do sistema das Nações Unidas (tais como UNICEF , PNUD e UNFPA) , que continuam a ter a responsabilidade de trabalhar pela igualdade de gênero eo empoderamento das mulheres em suas áreas de especialização.
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Mulheres das Nações Unidas terá duas funções principais: Irá apoiar os organismos inter- governamentais como a Comissão sobre o Status da Mulher na formulação de políticas, padrões e normas globais , e vai ajudar os Estados- Membros a implementar estas normas , estando pronto para fornecer apoio técnico e financeiro adequado para os países que o solicitem, bem como estabelecendo parcerias eficazes com a sociedade civil. Também ajudará o sistema da ONU para ser responsável por seus próprios compromissos sobre a igualdade de género , incluindo o acompanhamento regular do progresso do sistema.
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Secretário-Geral Ban nomeará um Sub- Secretário-Geral para dirigir o novo órgão e está convidando as sugestões dos Estados-Membros e os parceiros da sociedade civil. O Sub- Secretário-Geral será membro de todas as instâncias superiores de decisão da ONU e apresentará um relatório ao Secretário-Geral.
As operações das Nações Unidas da Mulher será financiada por contribuições voluntárias, enquanto que o orçamento regular da ONU vai apoiar o seu trabalho normativo . Pelo menos E.U. $ 500 milhões - o dobro do orçamento atual combinado de DAW, INSTRAW , osagi e UNIFEM - tem sido reconhecida pelos Estados- Membros, o investimento mínimo necessário para a Mulher das Nações Unidas .
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" Mulheres das Nações Unidas dará mulheres e meninas a voz forte e unida que merecem no cenário mundial . Estou ansioso para ver esta nova entidade em funcionamento para que nós - mulheres e homens - possa avançar em conjunto em nossos esforços para alcançar os objetivos de igualdade, desenvolvimento e paz para todas as mulheres e meninas, em todos os lugares ", disse o secretário-geral adjunto Asha -Rose Migiro .
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A resolução da Assembléia Geral das Nações Unidas a criação de mulheres também abrange questões mais amplas relacionadas à ONU a coerência do sistema , estabelecendo uma nova abordagem para o financiamento de operações de desenvolvimento das Nações Unidas , agilizando o trabalho dos organismos da ONU, e melhorar os métodos de avaliação dos esforços de reforma.
 

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 Acredito que para toda mães que passa por uma experiência dessa a vida muda naquilo que é mais perceptível, ou seja, na rotina, na saúde, no ânimo e nos projetos.

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Mas muda também, e em doses alucinantes de padecimento, naquilo que é inconsútil, mas se torna marcado para sempre: a alma.
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“Onde está o meu Vi para eu abraçar, cuidar, beijar”? É como am****r um braço, não se recupera mais. É uma dor que é um buraco que nada preenche.
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Falou-se em alma da mulher-mãe, falou-se no desejo impotente de amparar o que já é inerte e assim faz-se necessário voltar aqui à teoria do luto.
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O que é essa alma? Como se dá o processamento da irreversível perda? O projeto de maternidade, bem como a maternidade consumada, é para a mulher uma espécie de “prolongamento de seu ego”, assim ensinou a humanidade o criador da psicanálise, Sigmund Freud, e dois de seus mais geniais seguidores – embora tenham rompido com o mestre no andar da carruagem do conhecimento humano – Melanie Klein e Jacques Lacan.
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 Pode-se dizer, mesmo, que “é um ato narcisista da mulher e na criança ela vai projetar a si própria, o que não quer dizer que não a ame profundamente e para sempre”. Assim, quando o filho morre, três dores se sobrepõem.
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Em primeiro lugar, o “espelho-lago da mitologia de Narciso”, presente em todos nós, se parte e muitas mães órfãs mal conseguem olhar-se de fato num espelho de verdade. Eu não conseguia no início olhar no espelho, o meu olhar sangrava a minha alma. Fiquei oca. Em segundo lugar, a morte do meu filho interrompeu toda a perspectiva de futuro que depositei nele, inclusive o futuro de ver seus genes se fortificarem e se perpetuarem – essa é parte emocional e novamente não tangível, mas contam também os projetos visíveis de vê-lo estudar, viajar, fazer dele uma pessoa e tê-lo como uma grande e constante companhia.
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Com ele vivo o mundo era uma escada rolante subindo; quando ele morreu, nem se pode dizer que essa escada rolante parou. Na verdade, ela desceu despencando.
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Ocorreu em mim uma inacreditável descontinuidade. Eu perdi meu presente e, sem presente, naufragou meu futuro. Finalmente, a morte de um filho interrompe o inexorável, mas natural caminhar do tempo: estamos culturalmente preparados para assistir, primeiro, à morte de nossas bisavós, avós e pais – ou seja, daqueles que primeiro chegaram ao mundo. O falecimento do descendente, portanto, interrompe essa ordem estabelecida de vida e morte e a mulher-mãe enlouquece ao triste estilo dos incrédulos que não se cansam de perguntar “por que, por quê? Por quê?”.
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Dá culpa muito sentimento de culpa. Em meu caso, também a culpa, como se culpa houvesse, se desdobra em dois planos. Novamente a culpa da alma, a da ordem natural interrompida de nascimento, crescimento, envelhecimento e morte.
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 Há o desespero que somente a desesperada sabe qual é. Agora, no angustiante luto cercado de símbolos, eu atravesso noites a fio me indagando: “Vi” essa cena não está invertida? Não sou eu que tenho de estar morta e você vivo? Despedaçada prossigo.
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Na subversão do tempo dos vivos e dos mortos, quando gente pequena morre antes de gente grande, ou na “traição do tempo”, como às vezes prefiro definir, já não vale o lugar-comum que repetimos e julgamos toda dor aplacar: “Dê tempo ao tempo que a dor passa.”
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 Não. O tempo estanca e não há lenitivo; e entre aqueles que se especializam em cuidar delas é impossível quantificar um período de luto. “Perder um filho é o maior stress que o ser humano pode passar. Não dá para dizer quanto dura esse luto, ele pode ser eterno”, diz a psicólogo Éster Affini, especializada no atendimento desses casos.
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 Luto eternizado e tempo estancado.
 

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 O “Vi” é uma parte de mim, é como respirar. Nunca se perde um filho.

 
 Não o tenho da maneira como desejaria, vivo, mas ele está sempre comigo. 
 
 O luto de um filho é para toda a vida.
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A  morte ainda é um tabu e continua a ser escondida, escrever talvez seja a forma que encontrei de vivenciar essa tragédia que marcou para sempre com toda a certeza a minha vida, a vida dos meus filhos. No meu processo de luto, das coisas que mais me doeu foi o afastamento dos que não sabem como lidar com a dor.
 
Nós [os pais] representamos a materialização da dor maior. As pessoas com coragem vêm-nos perguntar se podem fazer alguma coisa, mas nós não queremos que façam nada, só que estejam ao nosso lado, queremos pessoas na nossa vida.
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Mas o que acontece a maior parte das vezes é que os outros se afastam, atravessam para o outro lado da rua, fingem que não vêem ou comportam-se como se nada tivesse acontecido, o que é ofensivo.
 
 Para lidar com alguém em profundo sofrimento há que olhá-lo nos olhos, aprender a não fingir que não se passou nada, a não sentir constrangimento perante as lágrimas do outro. É preciso aprender a suportar o silêncio porque, às vezes, não há nada para dizer.
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Foi em janeiro de 2009 que mergulhei na dor, nas noites sem dormir, nos pensamentos suicidas, no sentimento de incredulidade.
 
Deus existe? Não sei, sinto que tenho uma crença forte e que essa pode chamar-se deus, natureza, música ou animais. O que funcionar para nos ajudar a ultrapassar a dor é deus.
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Mas acredito na força das palavras, no enfrentar de forma racional [a dor da perda] para abrandar a avalanche emocional, provocar a morte, a olhá-la de frente. 

É a racionalização do irracionalizável, ou seja, às vezes eu procuro dissecar o luto e os seus processos, para encontrar alguma espécie de consolo na escrita. 
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Sei que às vezes as pessoas têm dificuldades em ler o que escrevo, mas os que perderam um filho sentem revisitados na sua dor, depois de viver o meu luto espero poder ajudar outros pais.
 
 O processo de luto normal. Com a perda de um filho é muito diferente.  Não há uma palavra que designe o estado de uma mãe em luto - não é órfã, não é viúva. O que sou então? A palavra não existe porque a sociedade não está preparada para a perda do seu futuro. Nunca aceitamos, não há treino para este luto. Para os pais um filho é sempre um filho único, mesmo numa família numerosa. 
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Sentimos frustração, raiva, em alguns momentos a dor é tão grande que é necessário o auxílio de alguém, pois não dá pra carregar sozinha.
 
Existe uma experiência que todo ser humano compartilha que é a PERDA de alguém ou de algo muito próximo.  
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Esta situação repentina, súbita, mas o que também há de comum é que jamais temos o poder de controlá-la.  Isto faz com que soframos muito.
 
Lembranças e sentimentos permeiam este momento e muitas vezes nos sentimos derrubados e até mesmo incapazes de conseguir continuar respirando.  São sensações físicas, emocionais e espirituais desagradáveis e que se alternam de forma a não conseguirmos controlar.
 
 

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 "Uma rosa é uma rosa é uma rosa", declamava Gertrude Stein.

 
Ninguém discorda.
 
No entanto, não há consenso de que "uma pessoa é uma pessoa é uma pessoa". Nazistas negam a judeus o direito à vida, assim como há judeus que se julgam superiores aos palestinos, e muçulmanos que assassinam cristãos que não comungam com suas crenças, e cristãos que excomungam espiritualmente judeus, muçulmanos, comunistas, homossexuais e adeptos do candomblé.
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Uma pessoa é o seu corpo.
 
Vive ao nutri-lo e faz dele expressão do amor, gerando novos corpos. Morto o corpo, desaparece a pessoa.
 
Contudo, chegamos ao século 21 e ao Terceiro Milênio num mundo dominado pela cultura necrófila de glamourização de corpos aquinhoados pela fama e pela riqueza, e exclusão de corpos condenados pela pobreza ou marcados por características que não coincidem com os modelos do poder.
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Num país de famintos e corpos esquálidos, a glamourização das formas induz um punhado de homens e mulheres a se submeterem a regimes e tratamentos cruéis. Despendem tempo e fortuna com os requintes da vaidade física, como a aranha que tece sua própria teia narcísica, da qual se torna prisioneira.
 
Não há academias especializadas em malhação do espírito e ainda não se inventou a transfusão de conhecimentos e valores de uma pessoa a outra ou do com****dor à mente, de modo a fazer coincidir a estética da aparência com a beleza da essência.
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Clonam-se corpos, mas não a justiça. Em nome da tirania das idéias, queimam-se corpos, como o de Giordano Bruno, cujo martírio, há 400 anos. Revistas de entretenimento e a publicidade exaltam a exuberância erótica de corpos, sem que haja igual espaço para subjetividades, espiritualidades e utopias.
 
Menos livrarias, mais academias de ginástica. Morreremos todos esbeltos e saudáveis; o cadáver, impávido colosso, sem uma celulite.
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 Da ascética mortificadora do corpo, passamos agora à sua exaltação pagã. No esporte, exige-se dele desempenhos cada vez mais excepcionais, sobretudo em agilidade (ginastas e jogadores) e velocidade (corredores e nadadores). No trabalho, impõem-se-lhe uma carga estressante, seja na atividade física, mal remunerada, seja no esforço mental. Em casa, ele é entupido de medicamentos, para dormir ou despertar, reduzir a melancolia ou aprimorar seus contornos.
 
Nas academias de ginástica e de dança, o corpo molda-se tonificado pelo ilusório elixir da juventude.
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Favorecem-se a saúde e a estética. Vigorosos e vistosos, os corpos nem sempre adquirem mais capacidade de relação consigo, com o outro e com Deus.
 
Um país, como o Brasil, que segrega corpos, condenando-os ao desemprego e à miséria, em nome da estabilidade da moeda, ainda está longe do portal da civilização.
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Num mundo em que o requinte dos objetos merece veneração muito superior ao modo como são tratados milhões de homens e mulheres; o valor do dinheiro se sobrepõe ao de vidas humanas; as guerras funcionam como motor de prosperidade; é hora de nos perguntarmos como é possível corpos tão perfumados ter mentalidades e práticas tão hediondas?   
 
Merleau-Ponty enfatizava que temos um corpo e somos o nosso corpo. Investimos em sua preservação (práticas higiênicas e culinárias), em sua apresentação (cosméticos e vestuário) e em suas expressões afetivas (sinais emocionais). Tais expressões são o nosso tendão de Aquiles, sobretudo se o nosso corpo é um poço de mágoas, ressentimentos, invejas, e faz da língua uma faca afiada que retalha, em tiras de desafeto, o respeito ao outro.
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Agora, o corpo recusa-se a ser refém do espírito. Da esquizofrenia da alma sobrepondo-se à carne, passamos à carne sobreposta ao espírito. Modelado pela erotização do mercado, o corpo adquire valor proporcional à sua adequação aos critérios de beleza estimuladores de consumo.
 
Fazer silêncio dentro de si, deixar fluir a voz interior e tratar o semelhante como sacramento vivo, são cuidados do corpo. Abrir-se ao Deus que nos habita pela graça, pela fé e por essa fascinante história da evolução do Universo que, desde o Big Bang, culmina nesse fruto inefável da natureza que é cada um de nós.
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 O corpo de Gaia também é corpo de Cristo. A Igreja deveria incluir entre os pecados a devastação de florestas, a poluição do ar e dos rios, a contaminação dos mares. Deveria clamar mais alto, não apenas em prol das espécies animais ameaçadas de extinção, mas sobretudo em favor da espécie mais degradada pela fome e pela violência: a humana.
 
Gente é para brilhar, canta o poeta. Se em nossa sociedade os corpos não brilham ou brilham só quando besuntados de cosméticos, e não banhados de luz interior, algo anda errado. A festa anual de Corpus Christi quer nos fazer recordar que corpo é copo, cálice, onde se bebe o vinho da alegria e da salvação, inserido no corpo místico e cósmico do Cristo.
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Só haverá futuro digno quando todos os corpos viverem em comunhão, saciados da fome de pão e de beleza.
 

Publicações: 3/7/2010 - 0 comentário(s) [ comentário ] - [ ]
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 Pesquisas revelam que a violência contra a mulher ocorre em todo o mundo e em todas as camadas sociais, que vai desde a discriminação com a mulher solteira, com a virgindade, a desigualdade salarial para exercício de funções iguais, exploração sexual, até o espancamento e o homicídio.

Até hoje inexistem dados precisos acerca da violência praticada contra a mulher no Brasil.
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No entanto, pesquisas revelam que no Brasil, de cada 100 mulheres 25 sofrem violência física, das quais 90% acontecem no ambiente familiar. Vê-se, de logo, o alto índice de violência doméstica, a maioria praticada pelos maridos ou companheiros, padrastos, pais e irmãos.

Tais pesquisas ainda evidenciam que a maioria dos casos não é denunciada, havendo denúncia de apenas 1/3. 
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As mulheres têm medo de sofrer represálias, temem um escândalo com abalo de sua re****ção no meio social, ou não sabem a quem recorrer. Insegurança, medo, indiferença das autoridades públicas e da sociedade, impunidade, dentre outros fatores, contribuem para que não haja a denúncia.

Julgo importante registrar que a mulher tem contribuído para manter essa situação, seja pela apatia com que recebe a violência ou vê violentadas outras mulheres, sem mobilização para qualquer tipo de reação e apoio, seja por aceitar sem questionar, padrões impostos pela mídia e pelo poder econômico, com vistas ao consumo, transformando-se, não raro, em objeto e símbolo sexual.
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A felicidade deixou de ser conseqüência de uma vida estável emocionalmente e realizada profissionalmente, com a satisfação das necessidades básicas e fundamentais de afeto, carinho, alimentação, habitação, instrução, cultura e lazer, de crescimento espiritual, enfim, de uma vida digna como ser humano, para estar na posse, no poder, na beleza e na juventude.

A mensagem sub-reptícia que é passada pela mídia, é que para ser feliz, a mulher tem que consumir tais ou quais produtos, “malhar“ “x” horas por dia, usar roupas desta ou daquela grife, tomar café “magro”, enfim, tudo que lhe proporcionará posse, poder, beleza e juventude, comprando ilusão para mascarar uma realidade difícil, num processo de auto-anestesiamento. 
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Impõe-se despertar. A felicidade está na harmonia de uma convivência familiar e social de respeito, de solidariedade e de complemento.

Homens e mulheres são iguais em direitos, mas diferentes em funções. O homem não pode exercer a maternidade. A gestação e o parto são funções tipicamente femininas. A amamentação é função da mulher que tem organização física diferente da organização física do homem. Há, portanto, diferenças como estas que têm que ser observadas, respeitadas e tuteladas pela lei. Compreendendo estas diferenças e que elas se complementam, os sexos opostos devem viver em comunhão, num processo de doação recíproca, para que sejam felizes, e não em dis**** pelo poder e pelo domínio.
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Compreender esta realidade é questão de educação e de conscientização.

Lembremos que podemos tirar da caixa de Pandora a esperança, colocá-la em nossos corações para enfrentar o grande desafio de acabar com a violência sob todas as modalidades, em especial a violência contra a mulher.

O trabalho será árduo e ainda demandará tempo, mas de braços cruzados nada faremos. Organizemos-nos, portanto, e vamos à luta.araretamaumamulher.blogspot.com/2010/07/porque-violencia-contra-mulher-nao-vem.html

Publicações: 3/7/2010 - 0 comentário(s) [ comentário ] - [ ]
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 Quando nascemos, ainda estamos muito ligados a uma grande sabedoria e poder espirituais por meio do nosso âmago. Essa ligação com o nosso âmago e, portanto, com a sabedoria e o poder espiritual nos proporciona uma sensação de completa segurança e de admiração.


 Ao longo do processo de amadurecimento, essa ligação vai aos poucos desaparecendo, e é substituída pelas vozes de nossos pais, que tenta nos proteger e que zelam pela nossa segurança. Elas falam de coisas certas e erradas, boas e más, de como tomar decisões e de como agir ou reagir numa determinada situação.
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Á medida que essa ligação com o âmago desaparece, nossa psique infantil tenta desesperadamente substituir a sabedoria original inata por um ego atuante. Infelizmente, a voz dos pais que se havia sobreposto ou que fora introjetada jamais consegue realmente fazer isso. Em seu lugar, o que toma forma é uma máscara do Eu.

A máscara do Eu é a nossa primeira tentativa de nos corrigirmos. Com ela tentamos expressar o que somos de uma maneira positiva e que também seja aceitável para os outros num mundo onde temos medo de ser rejeitados.
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Apresentamos as nossas máscaras do Eu ao mundo de acordo com o que achamos que o mundo diz de correto, para que possamos ser aceitos e nos sentir seguros. A máscara do Eu se esforça para estabelecer uma ligação com os outros porque essa é a coisa "certa" a fazer. Mas ela não consegue estabelecer uma conexão profunda porque nega a verdadeira natureza da personalidade. Ela nega os nossos temores e sentimentos negativos.

Embora nos esforcemos ao máximo para criar essa máscara, mesmo assim ela não funciona. A máscara jamais consegue produzir a sensação interior de segurança pela qual lutamos.
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De fato, ela gera a sensação interior de que somos impostores, porque estamos tentando provar que somos bons e não conseguimos fazer isso o tempo todo. Sentimo-nos como se fôssemos impostores e sentimos mais medo.
 Assim, redobramos os nossos esforços. Valemo-nos de toda a capacidade para provar que somos bons (uma vez mais, de acordo com a voz dos pais que foi introjetada) e isso gera mais medo, especialmente porque não podemos manter a fraude o tempo todo e, por isso, nos sentimos mais falsos, ficamos com mais medo, e se forma um ciclo vicioso.
 

Publicações: 2/7/2010 - 0 comentário(s) [ comentário ] - [ ]
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 A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos De****dos aprovou, no dia 9 de junho, o Projeto de Lei 6340/09, do de****do Capitão Assumção (PSB-ES). O projeto modifica a Lei Maria da Penha com o objetivo de acelerar a adoção de medidas urgentes de combate à violência contra as mulheres.

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De acordo com o texto, fica acrescido ao artigo 12º da Lei Maria da Penha um inciso que reduz de 48 para 24 horas o prazo dado à autoridade policial para enviar ao juiz o pedido da mulher ofendida, para a concessão de medidas protetivas de urgência. O projeto determina ainda que, recebido o expediente com o pedido da ofendida, cabe ao juiz o prazo de 24 horas (e não mais de 48 horas) para adotar as providências cabíveis.
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O projeto será analisado também pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e não deverá ser votado pelo Plenári o, pois tramita em caráter conclusivo. Nesse tipo de tramitação, o projeto precisa ser votado apenas pelas comissões designadas para analisá-lo, sem a necessidade de passar pela aprovação no Plenário. No entanto, se houver parecer divergente entre as comissões ou recurso contra o rito por parte de 51 de****dos, o projeto perde o caráter conclusivo.
 
Fonte: http://www.observatoriodegenero.gov.br/menu/noticias/aprovado-em-comissao-projeto-de-lei-que-modifica-a-lei-maria-da-penha

 
 

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  A morte é.

 
 Está é a verdade espiritual mais profunda que eu já conheci, mais é um passo que eu omiti do meu caminho, até aqui.
 
Dar a luz ao Vi não me poupou de vê-lo morto.
 
A morte é.
alt
E Deus não me poupará da morte.
 
Não poupará a minha mãe, não poupará os meus irmãos e com certeza não poupará a Amanda e o Neto.
 
É minha raiva e revolta a esse respeito não altera a veracidade desse fato.
 
Sinto um ceticismo tão grande como raramente senti. Uma profunda falta de confiança no eu e na vida.
 
O que me faz pensar que estou ligada a Deus?

Será que a espiritualidade não passa de ilusão ou superstição e da minha vontade de que as coisas sejam como eu quero?

Sinto ondas de amargura e duvidas sobre tudo o que vivi sobre tudo o que acreditei até aqui.
alt
O que é? O que é?
 
O que estou fazendo aqui?
 
Talvez eu nunca venha á saber. O que me faz pensar que sei o que estou fazendo aqui?
 
Não sei.

E, além disso, não preciso saber. Tudo o que posso fazer é seguir os meus instintos mais profundos, o mais profundo senso de orientação que tenho sobre o que devo fazer neste período de minha vida. Nada mais posso fazer.
 

Só agora compreendo os poetas e suas palavras sobre o vazio. Não um vazio qualquer, vazio, pedaço arrancado de mim, mutilação do meu corpo. Exercício de saudade, tornar de novo presente o passado que já se foi.
alt
Saudade é o revés de um parto, é a vontade de arrumar um quarto para o filho que já morreu.
 
 Acontece que depois da partida só fica a ferida, ferida que não se deseja curar. Pois ela traz de novo a memória, o belo que uma vez foi. Saber que cedo ou tarde tudo o que está presente ficará ausente. A tristeza testemunha que o mistério da despedida está gravado em nossa própria carne.
 
Como Cecília Meirelles disse de sua avó morta e eu nunca esqueci: Tudo em ti era uma ausência que se demorava uma despedida pronta a cumprir-se “
alt
Que verdade! Você sempre viveu tão intensamente, tão apressadamente, tão sem tempo para o planejamento que eu devia ter adivinhado...
 
Pra que estudar mãe? Porque não posso fazer dois esportes ao mesmo tempo mãe? Eu quero aprender tudo agora!
 
 Como eu não adivinhei? Por que Deus não me deixou saber? Ele me mostra tanta coisa, não me mostrou que você ia longo?
 
Quantos abraços eu deixei de te dar? Quantos beijos? Quantas vezes tive vontade de dizer eu te amo e não disse.
 
Parece que as vezes que te beijei, que te abracei e te coloquei no colo e disse que te amo eu esqueci todas elas, só ficou a vontade desesperadora de fazê-lo mais e o enorme vazio de não ter feito.
alt
O que eu vou fazer agora? Dá pra me dizer? Você sempre tinha uma resposta para tudo, meu Vi, me responde como nós, a Amanda o Neto e eu vamos continuar.

Já faz um ano e cinco meses e nós ainda não sabemos a resposta...

Será que um dia vamos conseguir saber?
 
Sentimos como se a vida nos tivesse levado um pedaço nosso sem nem ao menos pedir licença para isso.
 
 É desesperador...
 
 

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  A morte é.

 
 Está é a verdade espiritual mais profunda que eu já conheci, mais é um passo que eu omiti do meu caminho, até aqui.
 
Dar a luz ao Vi não me poupou de vê-lo morto.
 
A morte é.
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E Deus não me poupará da morte.
 
Não poupará a minha mãe, não poupará os meus irmãos e com certeza não poupará a Amanda e o Neto.
 
É minha raiva e revolta a esse respeito não altera a veracidade desse fato.
 
Sinto um ceticismo tão grande como raramente senti. Uma profunda falta de confiança no eu e na vida.
 
O que me faz pensar que estou ligada a Deus?

Será que a espiritualidade não passa de ilusão ou superstição e da minha vontade de que as coisas sejam como eu quero?

Sinto ondas de amargura e duvidas sobre tudo o que vivi sobre tudo o que acreditei até aqui.
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O que é? O que é?
 
O que estou fazendo aqui?
 
Talvez eu nunca venha á saber. O que me faz pensar que sei o que estou fazendo aqui?
 
Não sei.

E, além disso, não preciso saber. Tudo o que posso fazer é seguir os meus instintos mais profundos, o mais profundo senso de orientação que tenho sobre o que devo fazer neste período de minha vida. Nada mais posso fazer.
 

Só agora compreendo os poetas e suas palavras sobre o vazio. Não um vazio qualquer, vazio, pedaço arrancado de mim, mutilação do meu corpo. Exercício de saudade, tornar de novo presente o passado que já se foi.
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Saudade é o revés de um parto, é a vontade de arrumar um quarto para o filho que já morreu.
 
 Acontece que depois da partida só fica a ferida, ferida que não se deseja curar. Pois ela traz de novo a memória, o belo que uma vez foi. Saber que cedo ou tarde tudo o que está presente ficará ausente. A tristeza testemunha que o mistério da despedida está gravado em nossa própria carne.
 
Como Cecília Meirelles disse de sua avó morta e eu nunca esqueci: Tudo em ti era uma ausência que se demorava uma despedida pronta a cumprir-se “
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Que verdade! Você sempre viveu tão intensamente, tão apressadamente, tão sem tempo para o planejamento que eu devia ter adivinhado...
 
Pra que estudar mãe? Porque não posso fazer dois esportes ao mesmo tempo mãe? Eu quero aprender tudo agora!
 
 Como eu não adivinhei? Por que Deus não me deixou saber? Ele me mostra tanta coisa, não me mostrou que você ia longo?
 
Quantos abraços eu deixei de te dar? Quantos beijos? Quantas vezes tive vontade de dizer eu te amo e não disse.
 
Parece que as vezes que te beijei, que te abracei e te coloquei no colo e disse que te amo eu esqueci todas elas, só ficou a vontade desesperadora de fazê-lo mais e o enorme vazio de não ter feito.
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O que eu vou fazer agora? Dá pra me dizer? Você sempre tinha uma resposta para tudo, meu Vi, me responde como nós, a Amanda o Neto e eu vamos continuar.

Já faz um ano e cinco meses e nós ainda não sabemos a resposta...

Será que um dia vamos conseguir saber?
 
Sentimos como se a vida nos tivesse levado um pedaço nosso sem nem ao menos pedir licença para isso.
 
 É desesperador...
 
 

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 No mundo inteiro, pelo menos 60 mil mulheres (oito por minuto) perdem a vida por ano em resultado de violência doméstica - e este número foi registrado num total de apenas 40 países, imagine o real número de vítimas se o mundo é composto por mais de 190 países! E quantas outras não morrem, mas sofrem conseqüências dramáticas.

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A forma como a vida de uma mulher é afetada pela violência é terrível, e na grande maioria das vezes seu dano é irreversível. E sempre crescente.

Normalmente começa com uma mudança de comportamento, uma evidencia de sintomas de ansiedade, depressão, e uma falta de resposta ás situações.
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Em curto prazo existe uma grande irritabilidade, nos tornamos mais frágil, mesmo que muitas vezes não percebemos isso. Às vezes temos crises de choro, e começamos a nos perguntar por que estamos passando por aquela situação. E ai vem à culpa, começamos a nos sentir culpadas, por toda a situação de violência que estamos experenciando.
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A culpa tem inicio porque até onde conseguimos perceber, tudo em nossa vida continua da mesma forma, mas o comportamento do nosso parceiro mudou.
 
Começamos então a procurar por respostas e a nos questionar: O que eu fiz para provocar a violência?
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Começamos então a desenvolver o que chamo de “ritual de verificação”, que chega a ser uma obsessão, verificamos se a casa está em ordem, se as camas estão arrumadas, se nossos filhos estão limpos. Mas descobrimos que mesmo depois de sermos de tudo verificado, nosso parceiro chega a casa e arranja outro motivo para iniciar um conflito. (No inicio são só conflitos)
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Nossos limiares de resposta que estão baixos baixam ainda mais e das duas uma: ou ficamos paralisadas, passivas perante a situação, ou nos tornamos reativas (como a presa que tenta atacar para poder se libertar defender). São reações não elaboradas, pois são reações primarias. 
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É claro que a situação se difere de caso para caso, mas, normalmente, uma vez iniciado este ciclo agressão-reação, a tendência é para que o ciclo de violência se torne mais freqüente e mais agressivo e, claro, as conseqüências na vítima também se vão agravando
 

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 Hoje acordei completamente infeliz.


Em algum momento no decorrer dessa noite resolvi contar a verdade para mim mesma. Sinto-me sozinha, parece que existe dentro de mim um buraco negro que nunca vai ser preenchido.
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Tenho a sensação de ter sido uma péssima mãe, completamente incapaz de compensar os meus filhos pelos anos de loucura a eles infligidos.
A sensação de tristeza, confusão, desespero, a angustia com que tanto já me acostumei, começou a crescer como um fungo irritante em minha mente. Meus pensamentos foram se tornando vagos.
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E eu perdi a cabeça.

É o que chamam de insanidade temporária. Acontece uma coisa engraçada quando a gente enlouquece. Nós perdemos a cabeça.

E eu perdi. Perdi a cabeça que me fez negar os fatos durante grande parte da minha vida.

Perdi a cabeça que vivia cheia de distorções e meias verdades, de idéias alheias que alimentavam a minha infelicidade. Perdi a cabeça que tinha raiva da minha mãe, que odiava o meu pai, que se ressentia com os meus irmãos, que queria controlar qualquer coisa e qualquer um que penetrasse ou que pudesse de alguma forma me machucar.
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Mas uma amiga chegou é identificou a minha confusão, minha raiva e loucura imediatamente. Essa amiga extremamente perspicaz chegou até a detectar uma vulnerabilidade ainda maior.
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O medo.

O medo de estar perdendo o controle.

Medo de que os outros me julgassem.
verdade, 
Medo que por algum motivo eu não me dispunha a explorar ou mencionar de estar sendo castigada, de que a morte do Vi era um castigo para mim, por não ter conseguido ser a mãe que ele precisava que eu fosse.

E mais importante essa amiga identificou que por baixo de tudo isso há a necessidade de mudar.
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Ela sabe que eu estou vivendo uma crise fundamental em minha vida. Crise significa risco e oportunidade de crescimento. É um momento crucial que exige um coração ousado, uma mente forte e um espírito valente.

Pensando bem sei que tenho os três requisitos, não sou uma pessoa covarde, jamais fui, (na verdade não sou pra algumas coisas, porque pra outras sou até demais.).

Mas às vezes a vida parece nos sobrecarregar com muito mais do que podemos, ou queremos suportar. Estamos amedrontados com todas as coisas que percebemos mais nos recusamos a aceitar.
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Acreditamos que por termos nos recusado a aceita-las, perdemos o controle sobre elas. São por essa razão que as vemos em pesadelos ou em disfarces agradáveis naqueles que parecem ser os nossos sonhos felizes.

Pensamos que nada do que nos recusamos a acreditar poderá ser trazida a nossa consciência, porque achamos que isso é perigoso para nós.

A tensão do julgamento constante é praticamente intolerável. É curioso que uma capacidade tão debilitante tenha vindo a ser tão profundamente apreciada.
 

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 Estudo revela que aborto inseguro é uma das principais causas de morte  materna no Brasil As pesquisas serão apresentadas, nesta segunda-feira (28), em Brasília O aborto realizado em condições inseguras figura entre as principais  causas de morte materna e é motivo de discriminação e violência  institucional contra as mulheres nos serviços de saúde. Esse é um dos  resultados de pesquisas realizadas pelo Grupo Curumim (PE) e Ipas  Brasil (RJ), e que serão apresentadas hoje (28), na palestra 'O  impacto da ilegalidade do aborto na saúde das mulheres e nos serviços  de saúde em cinco estados brasileiros: subsídios para o debate  político'. Os estudos, que foram realizados nos estados de Pernambuco,  da Paraíba, Bahia, do Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro, visam gerar  debates sobre a realidade do abortamento inseguro e o impacto da  ilegalidade na saúde e na vida das mulheres e nos serviços de saúde do  Sistema Único de Saúde (SUS). A palestra acontece no auditório do  Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), das 9h30  às 12h.

As principais causas de morte materna no Brasil, apontadas pela 
pesquisa nacional de 2002, sob o patrocínio do Ministério da Saúde,  foram a hipertensão arterial, as hemorragias e o aborto. Todas essas  causas são consideradas evitáveis. 'Criminalizar o aborto não impede a  sua prática. Muito pelo contrário, vulnerabiliza as mulheres mais  pobres e dificulta o atendimento nos serviços de saúde, pois ao ser  tratado ainda como um crime, pecado, estigma e tabu, faz com que  muitos profissionais se recusem ou posterguem atender as mulheres que  chegam em situação de abortamento', afirma Paula Viana, coordenadora  do Grupo Curumim e secretária das Jornadas Brasileiras pelo Direito ao  Aborto Legal e Seguro. Entre os principais resultados das pesquisas, estão: - Mulheres negras morrem muito mais em consequência de abortos  inseguros, quando analisada a variável raça/cor; - Mulheres que tiveram complicações por aborto estão entre as  pacientes mais negligenciadas quanto aos cuidados de promoção da saúde  reprodutiva e não são encaminhadas a serviços e profissionais  capacitados; - Há predominância de mulheres jovens, entre 20 e 29 anos, nos  diagnósticos de aborto espontâneo e aborto por razões médicas; - Nos cinco estados, a intervenção mais utilizada para assistir  mulheres que abortaram é a Curetagem Pós-aborto (CPA), procedimento  mais caro e que oferece mais riscos de infecção para as mulheres, na  contramão da indicação do Ministério da Saúde de utilizar a Aspiração  Manual Intra-uterina (AMIU); - Em Salvador (BA) e Petrolina (PE), o aborto inseguro foi a primeira  causa de morte materna. Além do Grupo Curumim e do Ipas Brasil, a elaboração dos dossiês  contou com a parceria de diversas organizações, como Cfemea, Jornadas  pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro, Rede Feminista de Saúde,  Articulação de Mulheres Brasileiras, Frente Nacional pelo Fim da  Criminalização das Mulheres e pela Legalização do Aborto, Cunha  Coletivo Feminista, IMAIS-BA, Coletivo de Jovens Feministas de  Pernambuco, Rede Mulheres em Articulação da Paraíba e Articulação de  Mulheres do Mato Grosso do Sul. Para acessar os resumos das pesquisas, vá na seção Direitos  Reprodutivos no link http://www.grupocurumim.org.br/site/imprensa.php
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CONTATOS: Paula Viana (Enfermeira, coordenadora do Grupo Curumim e secretária  das Jornadas Brasileiras pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro) Fone: (81) 8863.1243 --  Assessoria de Comunicação - Grupo Curumim (81) 3427-2023
 

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 Não conhecemos nosso destino e nem as circunstâncias interiores e exteriores que nos levarão ao sucesso ou ao malogro de nossas intenções de vida. O mal não necessita de nenhuma intrepidez de caráter: multiplica-se como sombra sem fonte de luz definida.

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O bem requer um esforço de sociedade e uma disposição de vontade individual tais que sua realização é sempre um ato de coragem, como, aliás, a verdadeira alegria.

A distinção entre um e outro é objeto da ética e de seus finalismos morais.
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A violência é a loucura do mal e a sua banalidade, para lembrarmos Hannah Arendt, pode ser mais danosa do que todos os maus instintos juntos.

Não podemos perder nossa capacidade de indignação.
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A indigência ética - para lembrar agora uma expressão de Heidegger - de nossa época é o grande desafio de nossa sociedade. Buscar arrancá-la de um relativismo absoluto no qual tudo se compreende e tudo se perdoa, sem deixá-la resvalar pela pirambeira metafísica dos universalismos místicos e racionalistas, em que tudo se explica e nada se entende, é a tarefa maior que devemos nos propor realizar.
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Estudar, sob os seus mais diferentes aspectos, os mecanismos da violência é, sem dúvida, um passo importante para o seu entendimento, mas não necessariamente para o seu perdão. Um pouco de Nietzche não fará mal a ninguém!
 

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 Onde começa a violência? Onde começa a aceitação da violência? Difícil de serem respondidas essas duas perguntas. Todos nós sabemos que ela se inicia na infância, mais para termos tido pais violentos tivemos também avôs violentos? É um circulo vicioso, sempre. 

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Minha infância foi uma infância de culpa, castigos, surras, sacrifícios, e muitas pregações e orações católicas.

Eu sempre me senti no olho do furacão, tudo era minha culpa. Passei grande parte da minha infância ouvindo minha mãe contar para sua família, minhas tias e avó o quanto eu era porca, relaxada, preguiçosa, mentirosa.
 

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Tudo o que eu fazia ou dizia cabia em um desses adjetivos. Eu nunca ia dar certo. Tudo o que estava errado era culpa minha. O simples fato de ter nascido, já era o principal problema. Afinal eu era uma menina. 

Sempre era enfatizando o fato de que eu recebia muito mais do que merecia. Seja em bens materiais ou em afeto, atenção, e outros. Como eu nunca recebia nada de nenhum dos itens, conclui que não merecia ter nada.
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 Não me lembro de poder brincar, me divertir, ser feliz. Tudo na minha infância vinha carregado de um sentimento muito pesado de culpa e de medo, de castigo e de sacrifício. Quase nunca íamos a festas, e quando íamos, o sentimento de esta fazendo uma coisa que “Deus” não gostava era enorme.
 
O Deus que conheci na minha infância, era um Deus terrível, que não gostava dos ricos, que não gostava que fossemos alegres e felizes. Era um Deus que cobrava um preço muito alto, por nada, ou melhor, para a destruição.
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O único prazer totalmente liberado em minha casa era comer, minha mãe fazia comidas e mais comidas...
 
Carreguei comigo esse ranço de pecado, de humilhação, de medo, de verdadeiro terror mesmo, durante todo o meu casamento. Esse medo do que iam pensar de mim, do que ia acontecer comigo.
 
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A sensação de que eu tinha algo que, poderia ser descoberto e que faria com que as pessoas não me aceitassem. Um medo terrível, eu vivia em sobressalto. Foi assim que passei minha infância, minha adolescência e o meu casamento.
 

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 “Um psicopata ama alguém da mesma forma como eu, digamos, amo meu carro – e não da forma como eu amo meu marido".

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 Usa o termo amor, mas não o sente da maneira como nós entendemos. Em geral, é um sentimento de posse, de propriedade.

Se você perguntar a um psicopata por que ele ama certa mulher, ele lhe dará respostas muito concreta, tais como “porque ela é bonita”, “porque o sexo é ótimo” ou “porque ela está sempre lá quando preciso”.
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As emoções estão para o psicopata assim como está o vermelho para o daltônico. Ele simplesmente não consegue vivenciá-las”.

Em casos mais graves o psicopata pode praticar canibalismo, rituais sádicos de tortura e assassinatos, inclusive os em série.
Há um consenso que as formas extremas de sociopatia violenta são intratáveis e que seus portadores devem ser confinados em celas especiais para criminosos insanos por toda a vida.
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“O psicopata é incurável, pelos meios tradicionais de terapia.
Pegue-se o modelo-padrão de atendimento psicológico nas prisões. Ele simplesmente não tem nenhum efeito sobre os psicopatas. Nesse modelo, tenta-se mudar a forma como os pacientes pensam e agem estimulando-os a colocar-se no lugar de suas vítimas.

Para os psicopatas, isso é perda de tempo. Ele não leva em conta a dor da vítima, mas o prazer que sentiu com o crime.
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Outro tratamento que não funciona para criminosos psicopatas é o cognitivo – aquele em que o psicólogo e paciente falam sobre o que deixa o criminoso com raiva, por exemplo, a fim de descobrir o ciclo que leva ao surgimento desse sentimento e, assim, evitá-lo. “Esse procedimento não se aplica aos psicopatas porque eles não conseguem ver nada de errado em seu próprio comportamento”.
 

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 Na verdade muitos anos depois do meu casamento ter acabado, eu ainda sentia medo do meu ex-marido. Aquele medo terrível, de que as pessoas fossem descobrir algo, a meu respeito.


Hoje fico me perguntando descobrir o que?
 
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Jamais me senti digna de reclamar, de dizer o que estava sentindo. Alias era proibido isso na minha infância. 

O fato de me sentir o bode expiatório em uma família desestruturada, desajustada, e totalmente insana, não podia de forma alguma ser reclamado. Eu ainda deveria era me sentir feliz, por eles ser tão religiosos.
 
Assim aprendi a fugir, e a esconder no meu corpo, toda a dor, todo medo, toda a humilhação.
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 Aprendemos um modo de viver, ou melhor, de sobreviver às adversidades, e nos adaptamos a ele de tal forma que depois fica muito difícil sair. Sermos transformados. 

Sempre me senti incapaz de cuidar de mim, sempre ter alguém que me amparasse, e por isso me vi incapaz de cuidar dos meus filhos também. Foi por isso que nunca entrei judicialmente contra o pai deles, por não me achar digna de cuidá-los, ou capaz de fazê-lo.
 
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Assim fui me tornando alguma coisa solta, sem uma estrutura, sem historia, sem um grupo, ao qual eu pudesse dizer que fazia parte.

Nunca me senti parte da minha família, nunca me senti filha da minha mãe, irmã dos meus irmãos, filha do meu pai.
 
Sobrinha das minhas tias, neta da minha avó. Eu sempre tive comigo a certeza de ser uma presença incomoda para todas essas pessoas.
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 E, por conseguinte nunca me senti namorada, esposa, mãe de ninguém... 

Na verdade não conseguia me sentir parte integrante da vida.
Isso me levou a me valorizar tão pouco, me sentir pouco, ou melhor, não digna, me sabotar e não me preocupar em cuidar do meu ser.

Eu sempre fui de encontro com as humilhações, com a vergonha, e com o medo, por achar ser isso a única coisa que eu merecia receber da vida.
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 Não eu não tinha a menor consciência de tudo isso até passar por um processo longo de terapia, até conhecer o Pathwork eu não sabia de nada disso, eu simplesmente vivia esse drama, sem nem saber que isso era um grande drama. 

Não tinha a menor consciência do quanto essas minhas atitudes me prejudicavam, e prejudicava a todos ao meu redor, principalmente aos meus filhos. Tinha o péssimo habito de achar que isso não causava dor em mais ninguém a não ser em mim. Achava que minha ferida estava tão bem guardada, escondida em quilos e mais quilos de gordura, que ninguém era capaz de percebê-la.
 
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E que se alguém tentasse vê-la ainda tinha a cortina de fumaça dos meus cigarros.

Foi preciso me olhar no mais fundo do meu ser e assumir o que eu era e o que eu queria me tornar.
 

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 Às vezes a vida parece-nos sobre carregar com muito mais do que podemos ou queremos suportar.


Estamos amedrontados com todas as coisas que percebemos, mas nos recusamos a aceitar. Acreditamos que por termos nos recusado a aceita-las, perdemos o controle sobre elas. É por essa razão que as vemos em pesadelos ou em disfarces agradáveis, naqueles que parecem ser nossos sonhos felizes. Pensamos que nada do que nos recusamos a acreditar poderá ser trazida a nossa consciência, porque achamos que isso é perigoso para nós.
alt
Tensão do julgamento constante é praticamente intolerável. É curioso que uma capacidade tão debilitante tenha vindo a ser tão profundamente apreciada.

Por isso o amor é muito importante. Quando estamos sofrendo, ter alguém que nos acompanhe, apóie e nos ame, faz diminuir a dor e é o maior presente que alguém pode receber. Espero que um dia seja normal para as pessoas amar plenamente. É claro que temos todas as informações necessárias sobre o amor, mas apesar disso a maioria de nós não consegue, porque não fomos amados. A melhor maneira de superar esse problema é praticando diariamente atitudes amorosas.
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O mundo é um teatro, em que podemos escolher como atuar. Temos a vida toda para praticar e crescer. Mas não podemos esquecer que nem sempre acertamos. Por isso a necessidade de conhecer o perdão. Para nos perdoarmos e aos outros, temos que saber que cada um de nós, estamos fazendo sempre o melhor que pode.
 

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 Dizem que um problema bem definido é um problema meio resolvido.

Isso é verdade em algumas situações.
Num ambiente escolar, isso faz bastante sentido e funciona.
Porque os problemas já são conhecidos e as respostas também.
Veja este "problema":
João pagou R$3,00 por 3 maçãs. Quanto custou cada maçã?
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Mas na vida real, raramente isso é possível.
Principalmente quando os problemas envolvem pessoas.
E os verdadeiros problemas que temos na vida são problemas com pessoas (e nós fazemos parte das "pessoas").
As pessoas dizem: "tenho problema de relacionamento", "nunca consigo deixar minha mesa em ordem", "estou muito magoada com o que minha prima disse", etc.
 
Esses problemas, da maneira como foram ditas acima,  estão bem definidos?
Se não estão, como seriam esses problemas bem definidos?
E se e quando forem bem definidos, esse fato muitas vezes pouco contribui para sua solução. 
"Entender" ou descobrir a causa do problema também ajudam pouco ou nada.
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O que fazer, então?
 
Uma outra forma que costuma dar bons resultados é definir bem o que se quer no lugar daquele problema.
O que eu quero no lugar deste problema de relacionamento?
O que eu quero no lugar deste caos na minha mesa?
O que eu quero no lugar desta mágoa que sinto?
 
Ao invés de querer entender o porque de eu não conseguir deixar minha mesa em ordem, eu defino que quero minha mesa organizada e limpa.
Crio uma imagem clara da minha mesa limpa e organizada - e só isso já me faz sentir bem mais animado, ao contrário de quando falo "nunca consigo deixar minha mesa em ordem".
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Experimente.
 
Tendo a imagem clara do que eu quero, acompanhada do sentimento positivo associado a essa imagem,  posso começar a fazer o que é necessário para ter o que eu quero.
 
Muito mais prático e eficaz do que tentar definir, entender, aprofundar e saber o porque do problema.
Investir mais na solução do que no problema.
Funciona para muitos. Pode funcionar também para você.
 
 
Um ótimo final de semana para você.
 
 
Mizuji Kajii
 

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 Eu não aceito que as pessoas estejam em posição de combater o impulso de se tornarem assassinas depois de terem sido vítimas. É exigir demais das pessoas comuns. É freqüente que a vítima se transforme em carniceiro. O pobre homem, assim como os pobres de espírito a quem se ajudou, passa a odiá-lo ... porque eles desejam esquecer o passado, a humilhação, a dor e o fato de terem conseguido algo com a ajuda de alguém, por causa da piedade de alguém, e não por si mesmos ... Como escapar à dor e à humilhação? A forma natural é matar ou humilhar seu algoz ou benfeitor. Ou encontrar outra pessoa, mais fraca, para triunfar sobre ela.

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Tenhamos o cuidado de rejeitar delicadamente a advertência de Zhelazkova. As condições contrárias à humanidade comum parecem realmente insuperáveis. As armas não falam, embora os sons dos seres humanos falando pareçam uma resposta abominavelmente débil ao zunido dos mísseis e ao ruído ensurdecedor dos explosivos.
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A memória é uma bênção ambígua. Mais precisamente, é ao mesmo tempo uma bênção e uma maldição lançada sobre alguém. Pode "manter vivas" muitas coisas de valor profundamente desigual para o grupo e seus vizinhos. O passado é uma grande quantidade de eventos, e a memória nunca retém todos eles. E o que quer que ela retenha ou recupere do esquecimento nunca é reproduzido em sua forma "prístina" (o que quer que isso signifique). O "passado como um todo" e o passado "wie es ist eigentlich gewesen" (como Ranke insinuou que deveria ser retomado pelos historiadores), nunca é recapturado pela memória. E se o fosse, a memória seria francamente um risco e não uma vantagem para os vivos. Ela seleciona e interpreta — e o que deve ser selecionado e como precisa ser interpretado é um tema discutível, objeto de contínua dis****. Fazer ressurgir o passado, mantê-lo vivo, só pode ser alcançado mediante o trabalho ativo — escolher, processar, reciclar — da memória.
 
BAUMAN, Zygmunt. AMOR LÍQUIDO: sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2004. Pág. 107-108
 

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 Apesar dos incontáveis casos de violência doméstica contra a mulher e do quanto se precisou avançar até a sanção da Lei Maria da Penha (nº 11.340, de 2006) para coerção dessa prática, parte da mídia se comporta como se apoiasse a agressão física em situações de "legítima defesa da honra".


Não basta demonstrar, nas entrelinhas, satisfação com o cidadão que reage ao adultério (e não importa que seja na ficção; há gente que transpõe certos atos para a realidade). É preciso tripudiar de quem apanha como parece ocorrer na expressão pela qual o homem traído "acaba com a raça dela".
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Ao planejar a transmissão de uma cena de violência em rede nacional e numa novela que pode ser vista por crianças a partir dos 12 anos (e tem meninos e meninas ainda mais novos no elenco), parece ignorar os termos de algo que tanto pareceu apoiar em seus noticiários: justamente, a Lei Maria da Penha. E, por tabela, a Constituição brasileira.

Ao se considerar a mídia como transmissora de idéias e formadora de opinião, ganha importância o fato de que parte da sociedade tem em mente, de maneira equivocada, que certas coisas só se resolvem no tapa.
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Agora, o que acontece, provavelmente, é que há um estereótipo social para os homens que os autoriza a se sentirem na posse de suas mulheres, no sentido de que eles podem bater nelas quando estão nervosos e de que isso é aceitável, “porque estão com a cabeça quente”, em uma situação de resolução de conflitos. Nessa situação, a mulher aparece em um lugar de vítima sem saída, ela não surge como uma pessoa que têm direitos, que essa é uma situação que acomete outras mulheres etc.

Há uma valorização da masculinidade, que é de uma masculinidade violenta. A masculinidade hegemônica é violenta (filmes de Hollywood), promove-se a idéia de uma masculinidade viril identificada com a violência. Promoção não apenas de estereótipos femininos ou de gay, mas de masculino. Esse tipo de estereótipo de masculinidade surge mais em filmes desse tipo do que em novelas, mas é ainda um discurso que permeia os conteúdos de mídia de forma recorrente.
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A publicidade opera muito com a coisa do desejo, sexualiza muito a mulher, as crianças, as figuras femininas. Para promover um produto opera na lógica do desejo. Tem uma lógica um pouco particular e às vezes usa o preconceito deslavadamente, mas é menos direto. Na vertente da cultura brasileira, explora-se a idéia da “mulata sensual” e as mulheres negras são retratadas como hipersexualizadas.

 O retrato da mulher negra no Brasil em geral é aquela que “mostra o peito”, “mostra a bunda”, “está louca para dar”, com uma sexualidade animalesca e então reforça um preconceito horroroso. Durante muito tempo havia a “globeleza”, uma mulata nua que aparecia em épocas de carnaval, reforçando este estereótipo.
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Há muitos preconceitos nos programas de outras emissoras, para além da Globo, que exploram sentimentos e humilham os participantes, exploram o sofrimento e a ignorância das pessoas.

Na TV em geral, novelas etc., há um apelo de sexualização exagerado, não é à toa que há discursos super moralizantes. Mas isso é um pouco traço da sociedade brasileira, essa valorização da sexualidade etc. e concomitantemente discursos conservadores que buscam estabelecer uma oposição entre essa sexualidade mais “animalesca” e a sexualidade “desejada” ou moralmente ideal.
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É também uma forma de se estabelecer ou reforçar códigos de conduta de uma sociedade. Nesse sentido, pode-se dizer que a própria construção dos estereótipos já é uma violência simbólica. Valorizar esse estereótipo de masculinidade é também uma violência contra os homens, porque a maioria dos homens não se enquadra neste perfil. Então isso gera uma frustração muito grande.

Um pouco da violência doméstica vem do sentimento de frustração de não dar conta de cumprir com esse padrão de masculinidade hegemônica. Então não se consegue falar de violência contra a mulher sem falar da violência simbólica, da violência de gênero, são muitas as causas, não há uma causa e um efeito. Mas de fato, o sentimento de não cumprir com esse papel hegemônico de masculinidade gera muita frustração e daí o homem segue para esse lugar de violência onde ele se sente mais seguro, buscando a resolução dos conflitos de modo violento
 

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 Perpetuamos a não-consciência quando nos empenhamos em aceitar apenas o lado positivo da vida humana e negar ou evitar a outra metade. Se enfocarmos apenas as boas qualidades e ignorarmos os problemas que, como a nossa vida revela, devem existir em nós, ou se esperarmos a satisfação sem efetivamente encarar tudo o que bloqueia essa satisfação, vamos viver em perpétua ilusão, e nosso crescimento espiritual continuará incompleto.

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Se queremos amor e poder, prazer e expansão criativa, precisamos também estar dispostos a sentir medo e impotência, dor e contração, pois a tentativa de excluir esses estados "maus" restringe de tal forma a capacidade de experimentar a vida que os "bons" também ficam fora de alcance. Quando cortamos a percepção de um lado de nós mesmos, também cortamos a percepção do lado oposto. Quando nos abrimos, abrimo-nos para tudo. (O eu sem defesas – Susan Thesenga)

Levei muito tempo para aprender que o vazio que eu sentia dentro de mim, era falta de amor. Eu vivia cheia de ressentimentos, sentindo-me uma coitada, vitima de todos e de todas as situações... Sentia que eu não tinha outra opção a não ser viver naquele infortúnio.
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Eu achava que o amor era uma coisa que eu tinha que buscar fora, nos outros.

Antes tive que criar coragem para olhar para os meus bloqueios, e identificá-los. Olhar o buraco mais de perto e ver a verdadeira profundidade e largura dele é sempre o primeiro passo para uma reforma pessoal verdadeira.
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Conheço centenas de milhares de pessoas que identifico, devido a minha própria experiência, como loucas. Não é o tipo de loucura que interna alguém num manicômio. É o tipo de loucura aceito e praticado em nossa sociedade. É a loucura que nos faz luar pelo controle da nossa vida e da de todos os que fazem parte dela. Você conhece essa loucura, porque ela atormenta mais da metade da população adulta. Ela faz com que pessoas inteiramente capazes e competentes se eternizarem em empregos que as fazem infelizes. Que permaneçam em relacionamentos no quais traem e ou são traídas porque não há laços afetivos honestos e verdadeiros. Elas se envolvem em toda espécie de situações nas quais são maltratadas, desvalorizadas, destruídas, ignoradas, roubadas em sua humanidade.
Talvez você fique pensando que isso tudo são só teoria, não, não é, eu tenho colocado tudo o que escrevo aqui em minha vida.
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Se eu dissesse que está sendo fácil, eu com certeza vou está mentindo, às vezes é tão vergonhoso no começo de uma descoberta que chega a dar enjôo, outras eu penso que não é a realidade quando tenho que encarar uma responsabilidade que andei a muito querendo fugir.
Não resta nenhuma duvida de que é muito mais fácil, e sem trabalho, colocarmos a culpa nos outros, no governo, no transito, na violência e assim por diante, já que nossas listas de culpados é infinita...
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Mas quando decidimos levar realmente a serio a faxina interna, as coisas começam a ficar mais leves e vale a pena.memoriasdaviolencia.blogspot.com/2010/06/quando-ignoramos-os-problemas-vivemos.html

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 Onze empresas brasileiras fazem parte da lista de 39 corporações que aderiram aos Princípios de Empoderamento das Mulheres, lançados pelo Unifem (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) e o Pacto Global das Nações Unidas, em março deste ano. O número coloca o Brasil em primeiro lugar na lista de adesão aos “Princípios de Empoderamento das Mulheres” estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

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A segunda posição é ocupada por seis empresas de caráter global.
 
Estados Unidos e Egito estão na terceira posição no ranking de empresas com adesão aos Princípios. Nesta segunda-feira (21), 39 executivos de grandes empresas divulgaram a Declaração de Apoio aos “Princípios de Empoderamento das Mulheres – Igualdade Significa Negócios”, conclamando a adesão do setor empresarial à iniciativa das Nações Unidas. No documento, os presidentes e diretores executivos expressam o compromisso com a promoção da igualdade entre homens e mulheres, pedra fundamental dos setes Princípios de Empoderamento das Mulheres a ser adotada em escala mundial pelas empresas para incorporar a diversidade global e nacional. Com adesão divulgada na semana passada, a Petrobras também reafirmou em nível global o seu compromisso com a igualdade de gênero. “Estamos colocando em prática um dos valores expressos no Plano Estratégico da Petrobras para 2020, que é o respeito à diversidade humana e cultural, baseada em três princípios: não-discriminação, igualdade de oportunidades e respeito às diferenças”, declarou o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, em mensagem enviada para a ONU, em Nova York.
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Para a diretora-executiva do UNIFEM, Inés Alberdi, “pela primeira vez,
os executivos estão liderando a promoção da igualdade de gênero. Com esse apoio, presidentes e diretores executivos elevam, para o nível mais alto, o suporte necessário para os Princípios de Empoderamento das Mulheres e com um ganho de força nas relações individuais das empresas e nas suas culturas”, afirma. Os Princípios de Empoderamento das Mulheres – Igualdade Significa Negócios oferece à comunidade empresarial uma nova ferramenta no trabalho conjunto com as Nações Unidas para avançar no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, particularmente o objetivo três, que é o de promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres. As empresas brasilerias que aderiram aos princípios são: Açovisa Indústria e Comércio de Aços Especiais Ltda, CINQ Tecnologia, Copel (Companhia Paranaense de Energia), Fersol Indústria e Comércio SA, INCCATI Sistemas Ltda, Itaipu Binacional, Microlife Informática de Franca Ltda, Natusfran, New Space Processamento e Sistemas Ltda, Petrobras e Rodovalho Advogados. Com informações da Unifem --  Mariana de Rossi Venturini Diretora Nacional de Jovens Mulheres da UJS União Brasileira de Mulheres
 

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 Nós sempre queremos as coisas muito rápidas. Vivemos na era da informatização, temos pressa. Pressa em tudo. Um grande amigo costuma-me dizer que estamos vivendo na era "do Deus de microondas". Queremos resolver não importa como desde que seja rápido. É aquele velho ditado: "Senhor dê-me paciência, mas, por favor, seja rápido". É assim que vivemos.

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Mas não é assim que nossa natureza funciona.

Às vezes nosso inconsciente leva anos para processar uma transformação, isso vai depender do tamanho do trauma que nós vivenciamos, mas não existe duvidas se trabalharmos diligentemente a mudança vira forte e permanente.

Hoje de manhã esta procurando uma informação na Internet, vi uma noticia, sobre espancamento, abaixo da noticia tinha os comentários, algumas pessoas diziam que a esposa dessa pessoa devia gostar de apanhar, porque demorou 20 anos para falar.
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Não é verdade, só uma vitima de espancamento pode saber o que está vivendo, a tortura maior não é a física é a psicológica, o agressor primeiro acaba com nossa auto-estima, com nossa vontade de lutar. Isso é feito de forma sistemática por meio de: deboche, de humilhação, de desvalorização. Assim nos incapacitando de lutarmos contra a violência física, de denunciarmos.

 Até uns dias atrás eu tinha um verdadeiro pavor, só em pensar que um dia eu poderia denunciar meu algoz. E eu sou uma pessoa que desde que me separei há 14 anos tenho procurado a medida de o possível me fortalecer, com terapia, com meditação, e por ai vai.
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Tenho plena consciência que o fato da morte do meu filho ter sido a gota d’água que faltava para que eu tivesse coragem de mudar essa situação.

Sem este fato eu não teria tido a coragem de tomar a decisão que tomei, e o que é melhor sem medo. Hoje eu sei o que quero, o que é melhor para mim, para os meus filhos. Mas isso custou uma vida, que também será paga...
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Não tenho mais nenhuma duvida disso. Hoje sei que quero as coisas nos seus devidos lugares, sei que não aceito mais desculpas mentirosas para justificar atitudes perversas.
 

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 Camuflada pela sutileza das relações intra-familiares, causa sofrimento e conduz a mulher às alterações de comportamento, postura corporal e/ou reações psicossomáticas. Ainda o fato de esta mulher, acossada, diminuída em sua auto-estima, repassar aos filhos, o amargor, mesmo que involuntária e inconscientemente levando à perpetuação, igualmente perversa ao criar modelo deste tipo de violência na vida adulta dos filhos.

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O abuso psicológico também permeia todas as outras modalidades de abuso e isto é o mais dramático, pois exacerba o nível de possibilidades de toda a família em apresentar distúrbios de ordem psicológica adentrando nas suas relações afetivas, dificultando-as. O acúmulo da vivência desse tipo de violência faz elevar os índices de freqüência aos hospitais psiquiátricos, elevar globalmente o nível de distúrbios mentais, bem como elevar o índice das estatísticas dos suicidas.

Pode-se considerar que essa forma silenciosa de violência, vivida pela mulher casada no seu cotidiano, é pouco ou nada considerada até agora. Mas essa violência não acontece apenas com as mulheres, muito mais às crianças e adolescentes, vítimas mais disponíveis.
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No caso das mulheres casadas, consideramos que se de um lado existe o criminoso, em geral o marido, agindo através do poder financeiro e econômico, cultura do ciúme e mais atual, a evitação da independência da mulher no imaginário que está em formação, da ascendência profissional vista como concorrência, do outro lado está à própria mulher que, principalmente, se ama o marido, aceita a posição de vítima como uma demonstração de amor. Com certeza não é difícil alcançar que o poder econômico e financeiro do marido pode servir de alavanca da medida e do grau de dependência financeira da mulher em relação ao parceiro.

Esta mulher casada, que ama o companheiro, quando vítima de atrocidades psicológicas tende,ao sentimento de culpa, invariavelmente. Ou não consegue identificar a capacidade do companheiro em arquitetar e manietar.
Sente-se confusa, pois não acredita na possibilidade de intenção e mesmo não acreditam ser esta, uma forma de violência. Não acredita que o marido a está fazendo sofrer deliberadamente fazendo-a sentir o sabor do poder que ele detém.
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A "confusão" sentida e vivida pela mulher vítima de atrocidades psicológicas reside, na maioria das vezes, no equívoco de "confundir" os sentimentos. Desvalia ódio, rejeição.
Esta mesma mulher que pensa que ama, pode não amar o marido. Muitos outros motivos podem estar contribuindo para que ela viva o sentimento de "confusão".
Medo de encarar outra realidade que ela pensa ser mais difícil, que ela pensa que não vai conseguir alcançar. O medo da separação, do divórcio. O medo de ter "fracassado" no seu casamento e por fim, também a possibilidade de ela confundir no sentimento de culpa e perder-se no desconhecimento da autopunição ou autodestruição.
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Essa violência pode estar sendo demonstrada através da ridicularização do físico mulher - gorda, magricela, pele e osso, velha, relaxada, não capaz de ganhar dinheiro para ajudar a família etc. - da incapacidade intelectual - burrinha, desinformada, fora da realidade. Atitudes constantes de censura, pressões, cobranças, comparações, a exemplo.

Pode-se considerar que a forte pressão psicológica alcança características de tortura quando movida por objetivo definido da qual a vítima é o meio.
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Muitos exemplos poderiam ser extraídos: O marido que premeditadamente força a pressão psicológica até que ela chegue a atingir níveis insuportáveis pela vítima que cede diante da fragilidade psicológica e emocional. Esse objetivo pode ser conseguir o descrédito da mulher ao ser considerada mentalmente incapacitada para administrar patrimônio, por exemplo. Outro tipo de tortura com objetivos de conseguir informações; essa seria a tortura política e objeto de outro enfoque.
 

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 Nossa experiência de vida é um reflexo exato da pessoa que somos por dentro. Sempre que a vida mostrar algum aspecto nosso restritivo e insatisfatório, precisamos ir mais fundo na exploração do território interior, para que nos seja revelado onde ficou bloqueada a possibilidade de uma vivência mais rica.

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Cada vez que ampliamos o território interior, a vida exterior também se amplia. Nosso melhor mestre espiritual é sempre a vida que está bem à nossa frente; as mais importantes lições espirituais sempre assumem a forma de experiências de vida.

Para ampliar a vida, precisamos estar dispostos a entrar nas nossas áreas interiores que desconhecemos.(O eu sem defesas – Susan Thesenga)
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O trabalho espiritual é a disciplina pela qual as fronteiras do eu são lenta e constantemente ampliadas, até integrar na consciência mais e mais quem somos. É preciso ter dedicação e coragem para ampliar a idéia que fazemos de nós mesmos. Para crescermos, temos que estar dispostos a eliminar as defesas contra a dor enterrada.

Todo o nosso anseio é no final das contas o mesmo - vivermos uma relação mais amorosa conosco mesmos, com os outros, com o ambiente e com Deus. Podemos nos envergonhar desse anseio porque ele nos expõe à sensação da criança que tem seus desejos contrariados ou suprimidos. Podemos temer esse anseio porque ele contém a possibilidade da decepção. No entanto, somente quando despertamos e respeitamos nossos anseios é que teremos a motivação para executar o trabalho interior que leva à expansão da vida.
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A maioria dos nossos anseios podem ser expressos como desejo de amar (o eu, o outro, o trabalho, a natureza ou Deus). O primeiro passo é aprender a amar e a ser amado. Dessa forma, assentamos o alicerce para satisfazer todos os anseios. Aprendemos a nos identificar com uma parte nossa que podemos amar, e depois orientar esse amor para outros aspectos nossos que não parecem ser dignos de amor. Aprender a amar e aceitar tudo o que há em nós é a ferramenta primordial e permanente da cura.

A vontade de amar e ser amado leva à expansão pessoal e à expansão da vida. Mas é preciso também estar disposto a pagar o preço: honestidade total e capacidade de se enxergar, de discernir as restrições que impomos a nós mesmos. Aprendemos a ver quando odiamos em vez de amar (a nós e aos outros), quando nos limitamos por medo ou orgulho, quando acreditamos que somos vitimas inocentes e os outros responsáveis pela nossa infelicidade.
 

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 É extremamente difícil conceber as muitas contradições do ser humano. Caímos com facilidade na tentação de esquematizar a nossa experiência. Quando vemos nossos defeitos, perdemos de vista a nossa magnificência. Quando reconhecemos a nossa beleza, esquecemos a dor e a vulnerabilidade.

No entanto, os dois extremos, e tudo o que fica no meio, são parte da experiência humana, parte da nossa experiência, da nossa verdadeira natureza como seres humanos.(O eu sem defesas - Susan Thesenga)
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Como espécie, adquirimos uma capacidade incrível e inaudita de fazer perguntas sobre nós mesmos. Contudo, como espécie está constantemente tentando definir e, portanto restringir a nossa complexidade. Nossa mente ainda é limitada pela ilusão dualista de que somos ou isto ou aquilo. Definimos a nós mesmos, e aos outros, em termos das dualidades que a nossa mente foi estruturada para reconhecer. Damos a nós mesmos, e aos outros, rótulos de felizes ou de infelizes, de equilibrados ou dementes, de dignos ou indignos de confiança. Tentamos colocar rótulos e obter respostas finais a nosso respeito para manter a nossa identidade segura e fixa.(O eu sem defesas - Susan Thesenga)
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Somos todos como crianças assistindo uma peça de Shakespeare. Quando nos assusta a fúria do Rei Lear na charneca tormentosa, imediatamente queremos saber se ele é um sujeito bom ou mau - como se a resposta a essa pergunta pudesse, de uma vez por todas, mitigar a ansiedade que está no cerne da nossa complexa natureza boa e má. Precisamos, aos poucos, ensinar nossa mente imatura e dualista a abarcar a totalidade da experiência humana, a transcender o pensamento por oposição - "ou isto ou aquilo" - e dar lugar á sabedoria do "tanto isto como aquilo". Este é o próximo salto evolutivo da nossa espécie.(O Eu sem defesas - Susan Thesenga)
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Jamais vou me esquecer da Lidia lá na Unipaz, falando com aquela voz mansa própria dela: "Paz não é ausência de guerra, paz é inteireza". Quando ouvi isso pela primeira vez, me senti assustada, porque minha máscara principal sempre foi essa: "não eu não vou brigar, porque não quero me desarmonizar e desarmonizar os outros, eu sou da paz, a vitima que sofre para não incomodar". Não era essa a verdade eu não "brigava, não impunha minha vontade, não dizia o quer queria, por dois motivos: o primeiro era o medo, a minha baixa auto-estima não me deixava abrir minha boca, e o segundo é que eu adorava ser vitima ser a coitadinha, a sofredora incompreendida..."
 

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 A mais silenciosa das violências domésticas, não é alvo da mídia, e nem das autoridades competentes.

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Este é um problema com tantas sutilezas que, muitas vezes, nem a própria vítima tem noção de que é alvo deste tipo de abusos. Enredada numa série de tentativas de manipulação, a vitima agredida pode levar algum tempo até se aperceber de que faz parte das estatísticas de violência doméstica. Por isso, é de suma importância identificar é especificar esse tipo de relação. Como já referi, a manipulação é uma ferramenta a que o agressor recorre com freqüência. Nesse sentido, a vítima é acusada de estar na origem de todos os problemas do casal. Mais: através de cenas mais ou menos melodramáticas (características das personalidades psicóticas), que podem incluir gritos desmesurados, o agressor procura que o cônjuge se sinta culpado. Esta característica estende-se a outras áreas da vida, já que estas pessoas tendem a considerar que todos os acontecimentos negativos da sua vida são da responsabilidade de terceiros.
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Perdi a conta de quantos desses shows meus filhos e nós fomos obrigados a presenciar, aliás, até hoje somos, ao que mudou não foi o psicopata, foi à forma como hoje agimos e reagimos a ele.

Tanto no quotidiano como na vida conjugal em particular, o agressor procura dar uma imagem de si próprio de grande vítima, grande sofredor, a quem tudo (de negativo) acontece.

Além disso, o agressor tende a minimizar todos os argumentos e queixas da vitima (as) enquanto maximiza as suas próprias necessidades. Encara-as como mais urgentes ou mais importantes e, através de atitudes egocêntricas, busca a atenção contínua e a satisfação de todas as suas vontade.
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Para isso, estas pessoas recorrem freqüentemente a palavras depreciativas ou humilhantes, capazes de abalar seriamente a auto-estima do cônjuge. Note-se que este problema atinge todo o tipo de pessoas, mesmo aquelas comumente consideradas inteligentes ou cultas.

O agressor pode chegar a fazer acusações mais ou menos despropositadas do tipo “Você tem um (a) amante”, das quais a vítima procura defender-se, gerando um ciclo vicioso. Em todas as minhas três gravidezes eu ouvi essa barbaridade, e é obvio que tentei me defender sem nenhum sucesso, até o ultimo momento os filhos não eram dele, mesmo porque esse era também o argumento usado para não comprar nada para enxoval das crianças, e nem me entregar o meu próprio dinheiro para que eu comparasse. O fato de haver uma ligação emocional impede que a vítima se aperceba de que está sendo alvo de manipulação.
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Mas os atos depreciativos não se esgotam por aqui. Normalmente o agressor usa a violência verbal para humilhar (ainda mais) o cônjuge. Sem dar conta, a vítima acaba por achar normal que, quando está nervoso, o agressor lhe chame nomes horríveis. Isto se deve ao fato de estes atos serem normalmente seguidos de pedidos de desculpas, em que o agressor não reconhece, de fato, o erro e, em vez disso, refugia-se no fato de “estar nervoso”. “Não ligue” pode ser uma frase recorrente. Ou seja, mais uma vez, as queixas da vítima são desprezadas.

Isso vira um circulo vicioso, onde você ouve um pedido de perdão ao dia, e também ouve um xingamento, ou uma frase de desprezo na mesma proporção
Também as características positivas do cônjuge agredido podem ser alvo de chacota – “É a única coisa boa que tens” ou “Sem isso não eras nada” não são mais do que golpes baixos numa tentativa de destruir a auto-estima do outro e, assim, conseguir controlar a relação.
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Estes ciclos viciosos podem aumentar se o agressor conseguir alcançar um dos seus objetivos: afastar a vítima de todas as pessoas que possam ajudá-la a identificar o problema. Se a manipulação atingir este nível, o cônjuge agredido pode levar mais tempo a reconhecer que está a ser alvo de abusos.

Sim ano meu caso e dos meus filhos foi exatamente isso o que aconteceu, fomos afastados de todos, tanto da minha família, como também da família dele, assim como não podemos participar doa circulo de amizades que ele freqüenta. Se não, é possível que mais cedo ou mais tarde a vítima dê um murro na mesa.

Lembre-se: amar não é isto. Existe ajuda
 

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 Eu me rejeitava previamente. Achando-me imperfeita, ficava presa na negatividade, e acreditava que outras pessoas se sentiam da mesma forma em relação a mim. 



Mas na maioria das vezes isso não é verdade. Quanto mais as pessoas me aceitavam, mais eu sentia necessidade de ser vigilante.

Mantinha-me atenta a menor razão para que alguém me rejeitasse. Hoje sei que não funciona assim, sei que o amor que recebo se limita apenas a minha capacidade de recebê-lo. Mas é muito fácil nos fecharmos para o amor, ou em outras palavras darmos as costas para o Espírito. 
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Nossa negatividade interior diz “não” quando o amor nos é oferecido.

O ego com todos os seus medos e interesses, bloqueia a nossa habilidade de perceber a ação de amor que nos está sendo oferecida.



Quando nos apaixonamos, nos apaixonamos por um espelho de nossas necessidades atuais. O intenso desejo que sentimos por outra pessoa não é inato dela, o desejo nasce daquele que deseja.



No meu caso minha auto-imagem era de uma garota indefesa e mal-amada, qualquer demonstração de poder gerava um incrível anseio dentro de mim. 

O que a maioria de nós leva para o relacionamento não é a plenitude, mas a carência. Quando a carência domina o amor, a frágil teia é rompida. 

A carência implica uma ausência dentro de si, uma peça que está faltando e que outra pessoa deve fornecer.



A carência é uma força poderosa no modo de existência mais familiar que conhece que é a busca da auto-imagem. É ai que surge os primeiros indícios da incompatibilidade.

É injusto culpar uma única pessoa pela falta de confiança dada a nossa vivência social. 

Todos nós fomos condicionados a obedecer às necessidades do ego cegamente, vivemos numa sociedade que desconfia do contato intimo. 

A traição de nosso espaço é extremamente perturbadora, mesmo quando não ocorre violência alguma.

Duas pessoas envolvidas num processo de pensão ou numa amarga dis**** de custodia, estão essencialmente tirando vantagem do conhecimento intimo que adquiriram no casamento, transformando assim confiança em agressão.



Não é de se espantar que permitir que outra pessoa atravesse nossas bem guardadas defesas, cause um profundo conflito, pois a pessoa que poderia nos livrar de uma ameaça, também pode ser nosso inimigo, dentro de nossas próprias muralhas. 

Estar amando não vai abolir o crime, a guerra, a falta de moradia, as lutas raciais, e as incontáveis outras ameaças a nossa volta.



O efeito mais destrutivo de sentir-se ameaçado é cortar o fluxo do amor. 

Se você não aprendeu sobre o amor, desde a infância e muito difícil ficar junto de outra pessoa sem se defender.

A pior impressão que se pode ter da infância é a de que seus modelos para o amor também foram modelos de traição.

E essa sempre foi a impressão que eu tive. 

Isso acontece em casos de abusos físicos, sexual, e ou emocional. 

Com tive um passado de abuso e agressões , eu considerava secretamente todo amante como um inimigo em potencial. 

A caricia mais gentil, continha a possibilidade de ataque, a ternura mais suave reverberava com o potencial da degradação. 



Ironicamente, o que mais ambicionava era o amor. Mas minha insegurança, a enorme necessidade de defesa, alem do razoável, me afastava rapidamente do compromisso. Eu não estava certa, lá no fundo, de que poderia amar, apesar de meu anseio. 

Conseguir o verdadeiro amor foi um processo de crescimento, e o primeiro requisito foi tornar-me consciente do quanto não estava sendo sincera. 



Alias eu gostaria de fazer aqui um parêntese para explicar uma coisa que creio e de suma importância para todos: Não existe nenhuma forma de sairmos de qualquer situação de risco, a não ser que estejamos realmente dispostos a sermos sinceros, a dizer a verdade para nós mesmo. Com costumo dizer: olhar o buraco bem de perto e ver o verdadeiro tamanho, e profundidade que é. 
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Creio está ai, o erro da maioria dos livros de auto-ajuda. Eles se esquecem de dizer que só vamos ter aquilo que verdadeiramente acharmos que merecemos aquilo que o nosso inconsciente acha que temos direito. É isso que temos da vida.
 

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 A violência psicológica se caracteriza por comportamentos sistemáticos que seguem um padrão específico, objetivando obter, manter e exercer controle sobre a mulher. Tem início com as tensões normais dos relacionamentos, provocadas pelos empregos, preocupações financeiras, hábitos irritantes e meras diferenças de opinião. Nestes tipos de relacionamentos, as tensões aumentam, começando então uma série de agressões psicológicas, até chegarem às vias de fato. Em contrapartida, nos relacionamentos não violentos, as pessoas discutem sobre as tensões ou as ignoram, e estas tendem a diminuir.

As interações violentas de um casal estão vinculadas ao aumento de tensão nas relações de poder estabelecidas e que a relação de dominação e subordinação necessita ser confirmada. A situação de violência pode ser então, uma tentativa de restaurar o poder perdido ou nunca alcançado, ou ainda confirmação da identidade.
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Dois grandes fatores responsáveis por tais condições de violência: constituem o primeiro os fatores condicionantes, que se referem à opressão perpetrada pelo sistema capitalista, pelo machismo e pela educação diferenciada; o segundo fator é formado pelos precipitantes como álcool e drogas ingeridos pelos agentes nos episódios de violência, além do estresse e cansaço, que podem desencadear o descontrole emocional e os atos agressivos.
 Por mais que a sociedade estabeleça estereótipos para o homem agressivo – como rude, de classe social inferior, grosseiro, valentão na aparência e nas atitudes – não há um perfil único. Assim, um homem que em sociedade pode parecer acima de qualquer suspeita, pode, muito bem, ser um agressor na relação conjugal.
A lista de características que os distinguem, que incluem, dentre outras, pessoas com fraco controle do impulso, apresentando necessidade de satisfação imediata e insaciáveis necessidades do ego; dependência emocional; freqüentes quadros de estresse, mas, geralmente, bem dissimulados; baixa auto-estima; ciúmes excessivos, que os levam a uma vigilância demasiada da parceira e repetidas promessas de mudança.
Estas constantes promessas de mudança dão à violência um caráter cíclico, traduzido por momentos intercalados de agressões e amor, fato que contribui para que a mulher permaneça durante anos vivenciando uma relação violenta. Por esta razão, é importante que a mulher conheça as especificidades do ciclo em que está envolvida, a fim de encontrar meios de sair da situação.
 Aponto três fases distintas, constituintes do ciclo da violência, as quais variam tanto em intensidade como no tempo, para o mesmo casal e entre diferentes casais, não aparecendo, necessariamente, em todos os relacionamentos. A primeira fase é de construção, em que ocorrem incidentes verbais e espancamentos em menor escala, como chutes e empurrões. Nesse momento, as vítimas, usualmente, tentam acalmar o agressor, aceitando a responsabilidade pelos problemas dele, esperando, com isso, ganhar algum controle sobre a situação e mudar seu comportamento. A segunda fase é caracterizada por uma incontrolável descarga de tensão, sendo a mulher espancada, independente de seu comportamento diante do homem, que utiliza armas e objetos para agredi-la. Já a terceira fase corresponde a uma temporária reconciliação, que é marcada por um extremo amor e comportamento gentil do agressor, que tem consciência de ter exagerado em suas ações e, subsumindo-se no arrependimento, pede perdão, prometendo controlar sua raiva e não feri-la novamente.
A violência emocional ou psicológica é evidenciada pelo prejuízo à competência emocional da mulher, expresso através da tentativa de controlar suas ações, crenças e decisões, por meio de intimidação, manipulação, ameaças dirigidas a ela ou a seus filhos, humilhação, isolamento, rejeição, exploração e agressão verbal. Sendo assim, é considerado violento todo ato que cause danos à saúde psicológica, à autodeterminação ou ao desenvolvimento pessoal, como por exemplo, negar carinho, impedi-la de trabalhar, ter amizades ou sair de casa. São atos de hostilidade e agressividade que podem influenciar na motivação, na auto-imagem e na auto-estima feminina.
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Outro tipo de violência é a patrimonial, que resulta em danos, perdas, subtração ou retenção de objetos, documentos pessoais, bens e valores da mulher. Esta forma de violência pode ser visualizada através de situações como quebrar móveis ou eletrodomésticos, rasgar roupas e documentos, ferir ou matar animais de estimação, tomar imóveis e dinheiro, ou, até, não pagar pensão alimentícia.
No que se refere à violência psicológica, o isolamento é uma de suas principais formas de manifestação. Nesta prática, o homem busca, através de ações que enfraqueçam sua rede de apoio, afastar a mulher de seu convívio social, proibindo-a de manter relacionamentos com familiares e amigos, trabalhar ou estudar. O objetivo primário do isolamento social é o controle absoluto da mulher, já que, ao restringir seu contato com o mundo externo, ela dependerá ainda mais de seu parceiro, tornando-se submissa a ele.
As primeiras tentativas do homem para efetuar o isolamento da mulher se dão por meio da manipulação, arranjando situações como, por exemplo, marcar outros compromissos para impedi-la de ir a reuniões familiares ou de amigos, ou por meio de acusações de não estar cuidando bem da casa ou dos filhos. Quando a manipulação não funciona, o agressor recorre ao despotismo, dando ordens expressas do que ela deve ou não fazer e, por fim, apela para a intimidação, ameaçando espancá-la, quebrar seus pertences ou matá-la.
Os períodos em que estão longe do marido são aqueles considerados de maior tranqüilidade para a mulher, e são proporcionados, geralmente, por seu emprego, ou quando ele sai para trabalhar. O trabalho, para muitas mulheres, constitui-se em uma válvula de escape. Nele ela se sente importante e respeitada. Para aquelas que exercem apenas a função de dona-de-casa, a saída do parceiro representa momentos de liberdade, nos quais ela poderá assistir a seus programas preferidos, falar com amigos ao telefone e fazer suas atividades sem maiores cobranças. Esta tranqüilidade, no entanto, acaba antes mesmo do marido retornar, já que a tensão se inicia até mesmo com a lembrança, com a expectativa de sua chegada. A partir do momento de sua chegada, a casa passa a girar em torno das vontades dele.
Quando há uma dependência financeira da mulher em relação ao homem, seja pelo fato de ter se submetido à proibição de trabalhar imposta por ele, ou mesmo pela dificuldade ou comodidade de não ter um emprego, esta se torna obrigada a recorrer ao marido, sempre que necessitar de dinheiro, situação que favorece a violência, pois, em muitos casos, o homem utiliza seu poder econômico como forma de ameaçá-la e humilhá-la. Asseverava o jurista baiano Gomes (1981, p.9): “Enquanto a mulher permaneceu sob a total dependência do homem, aceitou sua dominação absoluta.”
Ressalta-se que a violência psicológica, através de ameaças, é dirigida tanto à mulher como a outros membros da família, fazendo-se por meio de promessas de agressões e gestos intimidativos. Uma característica comum àqueles que praticam este tipo de violência é a habilidade de encontrar o ponto fraco da mulher, que, em muitos casos, são os filhos, utilizando-os como alvo todas as vezes que desejar feri-la.
A violência física, em toda sua enormidade e horror, não é mais um segredo. Porém, a psicológica, em função de não envolver danos físicos ou ferimentos corporais, ainda se mantém num canto escuro do armário, para onde poucos querem olhar. Apenas muito recentemente, nota-se um movimento em direção à conscientização e reação por parte de algumas mulheres, confrontando esta modalidade sutil de violência perpetrada pelos homens com a conivência da sociedade machista.
É fundamental destacar que todo ato de agressão física é precedido de um histórico de violência psicológica que, por expressar-se de maneira menos perceptível, acaba não sendo facilmente identificada pelas mulheres. Muitas vezes, inicia-se com uma pequena reclamação, mas, repentinamente, esta é substituída por ofensas, xingamentos, atingindo seu ápice com as agressões físicas.
Cada tipo de violência gera, prejuízos nas esferas do desenvolvimento físico, cognitivo, social, moral, emocional ou afetivo. As manifestações físicas da violência podem ser agudas, como as inflamações, contusões, hematomas, ou crônicas, deixando seqüelas para toda a vida, como as limitações no movimento motor, traumatismos, a instalação de deficiências físicas, entre outras.
Os sintomas psicológicos freqüentemente encontrados em vítimas de violência doméstica são: insônia, pesadelos, falta de concentração, irritabilidade, falta de apetite, e até o aparecimento de sérios problemas mentais como a depressão, ansiedade, síndrome do pânico, estresse pós-traumático, além de comportamentos auto-destrutivos, como o uso de álcool e drogas, ou mesmo tentativas de suicídio.
 
 

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 De acordo com a Declaração das Nações Unidas, de 1949, sobre a Violência Contra a

Mulher, aprovada pela Conferência de Viena em 1993, a violência se constitui em “[...] todo e qualquer ato embasado em uma situação de gênero, na vida pública ou privada, que tenha como resultado dano de natureza física, sexual ou psicológica, incluindo ameaças, coerção ou a privação arbitrária da liberdade.”
A violência doméstica contra a mulher recebe esta denominação por ocorrer dentro do lar, e o agressor ser, geralmente, alguém que já manteve, ou ainda mantém, uma relação íntima com a vítima. Pode se caracterizar de diversos modos, desde marcas visíveis no corpo, caracterizando a violência física, até formas mais sutis, porém não menos importantes, como a violência psicológica, que traz danos significativos à estrutura emocional da mulher.
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 O Relatório Nacional Brasileiro retrata o perfil da mulher brasileira e refere que a cada 15 segundos uma mulher é agredida, totalizando, em 24 horas, um número de 5.760 mulheres espancadas no Brasil. Outros dados também alarmantes, referidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2005, indicam que, no Brasil, 29% das mulheres relatam ter sofrido violência física ou sexual pelo menos uma vez na vida; 22% não conseguiram contar a ninguém sobre o ocorrido; e 60% não saíram de casa, nem sequer por uma noite. Ao contrário do que a ideologia dominante, muitas vezes, quer fazer crer, a violência doméstica independe destatus social, grau de escolaridade ou etnia. Verifica-se, inclusive, que certos tipos de violência (como, por exemplo, os casos de abusos sexuais) ocorrem com maior incidência nas camadas sociais médias e altas.
O estudo acerca deste tema é de grande relevância no cenário atual, já que é notório o crescente aumento deste fenômeno entre a população mundial, evidenciando-se um problema social e de saúde pública, que afeta a integridade física e psíquica da mulher, além de constituir uma flagrante violação aos direitos humanos.
Considerando a importante relevância social deste tema, acredito  que seja necessário um olhar mais cuidadoso e atento das autoridades governamentais, através da criação e desenvolvimento de políticas públicas visando combater este fenômeno, assim como proporcionar uma assistência mais adequada às vítimas desta violência, além de uma maior implicação dos pesquisadores no que tange ao estudo e discussão em torno desta problemática, almejando identificar o que ocorre com as mulheres vítimas de tal violência.
A identidade de gênero forma-se a partir do sentimento e convicção que se tem de pertencer a um sexo, sendo, pois, uma construção social feita a partir do biológico. Neste processo, o sexo e os aspectos biológicos ganham significados sociais decorrentes das possibilidades físicas e sociais de homens e mulheres, delimitando suas características e espaços onde podem atuar. Assim, são estabelecidas as desigualdades entre os sexos, sendo vistas como normais e fruto da “natureza” de cada um deles.
É a partir deste processo sócio-cultural de construção da identidade, tanto masculina, quanto feminina, que ao menino é ensinado a não maternar, não exteriorizar seus sentimentos, fraquezas e sensibilidade, a ser diferente da mãe e espelhar-se no pai, provedor, seguro e justiceiro; em contrapartida, à menina acontece o oposto, ela deve identificar-se com a mãe e com as características definidas como femininas: docilidade, dependência, insegurança, entre outras.
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Nas classes dominantes, a delegação desta função não carece da legitimação da necessidade de trabalhar, porém, mesmo nesta condição, a mulher não está isenta da responsabilidade de orientar os filhos e supervisionar o trabalho doméstico. Assim, tais papéis vão se inscrevendo na “natureza feminina”. Deste modo, o labor profissional, realizado em concomitância com o doméstico, impõe às mulheres uma dupla e injusta jornada de trabalho.
As situações de violência contra a mulher resultam, principalmente, da relação hierárquica estabelecida entre os sexos, sacramentada ao longo da história pela diferença de papéis instituídos socialmente a homens e mulheres, fruto da educação diferenciada. Assim, o processo de “fabricação de machos e fêmeas”, desenvolve-se por meio da escola, família, igreja, amigos, vizinhança e veículos de comunicação em massa. Sendo assim, aos homens, de maneira geral, são atribuídas qualidades referentes ao espaço público, domínio e agressividade. Já às mulheres foi dada à insígnia de “sexo frágil”, pelo fato de serem mais expressivas (afetivas, sensíveis), traços que se contrapõem aos masculinos e, por isso mesmo, não são tão valorizados na sociedade.
As relações estabelecidas entre homens e mulheres são, quase sempre, de poder deles sobre elas, pois a ideologia dominante tem papel de difundir e reafirmar a supremacia masculina, em detrimento à correlata inferioridade feminina. Desta forma, quando a mulher, em geral, é o pólo dominado desta relação, não aceita como natural o lugar e o papel a ela impostos pela sociedade, os homens recorrem a artifícios mais ou menos sutis como a violência simbólica (moral e ou psicológica) para fazer valer suas vontades, e a violência física se manifesta nos espaços lacunares, em que a ideologização da violência simbólica não se faz garantir.
Cabe, neste momento, salientar a importância da compreensão do processo de “coisificação” da mulher como resultante, inclusive, do modelo tradicional de família patriarcal, formado a partir de uma hierarquização de relações inter sexuais e inter geracionais, que exige a submissão e obediência da mulher à figura masculina, de quem é propriedade com direito de exclusividade. O sistema familiar patriarcal é, portanto, uma versão institucionalizada da ideologia machista enquanto ideologia de sexo.
A identidade de uma mulher vítima de violência doméstica é, comumente, fruto deste padrão familiar de subordinação e não questionamento das imposições masculinas. Apesar de constatarmos, atualmente, profundas transformações na estrutura e dinâmica da família, prevalece ainda um modelo familiar caracterizado pela autoridade paterna e, portanto, pela submissão dos filhos e da mulher a essa autoridade.
Principalmente na classe trabalhadora, o respeito (ou medo) ao marido é um valor cultural sedimentado. Questionar essa realidade parece ir contra uma estrutura de pensamento de conteúdo religioso, moral, econômico, psicológico e social. Discutir sobre a submissão da mulher em relação ao homem, significa desarticular uma estrutura que embasa crenças e conceitos antigos de dominação.
 Estar inserido em um ambiente familiar no qual, constantemente, os pais são agressivos entre si, ou mesmo com os filhos, favorece a uma concepção naturalizada da violência. São mulheres que cresceram vendo o pai bater na mãe, esta bater nos filhos, o irmão mais velho bater-nos mais novos, estes nos colegas, reproduzindo um ciclo constante de violência. Desta forma, o apanhar passa a não simbolizar desamor, mas sim uma forma de se estruturar como pessoa, em que o subjugar-se ao outro é um modelo de relação aprendido na infância.
Sofrer violência na infância torna as pessoas inseguras, com baixa auto-estima, com ausência de senso crítico sobre a violência e dificuldades de estabelecer relações positivas. Essas conseqüências repercutem na escolha que a mulher fará de seu futuro marido, bem como na sua reação frente à violência.
 Os historiadores relatam que, desde a antiguidade, a mulher, enquanto criança, era propriedade do pai; depois de casada, passava a pertencer ao marido.
Este lugar de superioridade ocupado pelo homem em nossa sociedade implica, contudo, em um ônus que este acaba pagando por tais “privilégios”. Assim como a mulher, ele não tem o direito de escolha do papel a ser desempenhado socialmente, tendo que ser o provedor do lar, terminando mutilado em sua possibilidade de desenvolver a sensibilidade e a capacidade de realizar atividades relacionadas ao mundo doméstico. Percebe-se, assim, que tais modelos ideológicos trazem conseqüências negativas para ambos os sexos, uma vez que os impossibilita de vivenciar suas potencialidades de maneira integral.
 

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 É comum o questionamento acerca das razões que levam uma mulher a permanecer em uma relação violenta. Alguns estudos realizados, dentre eles o do Ministério da Saúde

(BRASIL, 2001), demonstram não haver uma causa única, mas sim múltiplos fatores que corroboram esta situação. É imprescindível, entretanto, a tentativa de identificação dos principais aspectos envolvidos neste processo, no intuito de compreender a dinâmica de uma relação marcada pela violência.
Uma mulher pode permanecer durante anos vivenciando uma relação que lhe traz dor e sofrimento, sem nunca prestar queixa das agressões sofridas, ou mesmo, quando decide fazê-la, em alguns casos, é convencida ou até mesmo coagida a desistir de levar seu intento adiante. No que se refere a este aspecto, constatou-se que as vítimas permaneceram em média de 2 a 5 anos no relacionamento. A violência acaba sendo protegida como um segredo, em que agressor e agredida fazem um pacto de silêncio que o livra da punição. A mulher, então, passa a ser cúmplice das agressões praticadas contra si mesma.
Em face de tal realidade, desenvolvem-se concepções populares de que as mulheres “gostam de apanhar”, ou ainda de que “algo fizeram para merecerem isto”. Esta idéia nega a complexidade do problema e atribui à violência um caráter individual, oriundo de aspectos específicos da personalidade feminina.
Vários são os motivos pelos quais a primeira agressão sofrida, geralmente, não é denunciada: a mulher pode vivenciar um conflito, por não desejar separar se do companheiro ou, mesmo que ele seja preso, apenas pretende que cessem as agressões, procurando socorro, somente quando já está cansada de apanhar e se sente impotente.
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Freqüentemente, as mulheres procuram justificar as atitudes do agressor, através de argumentos como o ciúme e a proteção, que acreditam ser demonstrações de amor. Atribuem ainda a fatores externos, como o estresse, decorrente principalmente do trabalho, das dificuldades financeiras e do cansaço. Também o álcool é um motivo alegado pela grande maioria das vítimas, para explicar o comportamento agressivo de seus parceiros. O álcool estimula este tipo de comportamento dos homens, mas age apenas como um catalisador de uma vontade pré-existente, havendo, portanto, uma intenção em ferir a integridade física da mulher.
Quando há o desejo de se separar do marido, esta idéia vem sempre acompanhada por sentimentos de culpa e vergonha pela situação em que vive, por medo, impotência, debilidade, além dos mitos sociais que afirmam o prazer da mulher em apanhar. Todas as mulheres, depois de tomada esta decisão, ainda enfrentavam uma situação de instabilidade ocasionada por ameaças de perder a casa, a guarda dos filhos e a realidade de sobreviver sozinha. Desta maneira, elas só tomam a decisão quando não têm mais alternativas e não suportam a dor. Ainda assim, muitas se mantêm em uma relação de dor para não verem a família destruída. Outro elemento que impede a separação entre vítima e agressor e contribui para o aumento do índice de violência é a falta de apoio social, refletido pelo escasso número de pessoas (parentes, amigos ou vizinhos) ou entidades (igreja, instituições), aos quais a mulher pode confiar o suficiente para relatar as agressões e acreditar que algo será feito para evitar sua incidência. Quando a mulher tem uma boa relação com familiares e amigos, permitindo-se contar-lhes sobre sua vida conjugal, suas casas passam a ser uma possibilidade de refúgio. No entanto, quando isto não é possível, devido à situação de isolamento provocada por seu parceiro, a única possibilidade encontrada é recorrer às casas-abrigo, que funcionam para acolher mulheres em situação de violência, mas que representam, para muitas, enfrentar um futuro desconhecido.
O fator financeiro foi o mais destacado por depender economicamente do companheiro e terem medo de não conseguir sustentar a si mesmas e/ou a seus filhos; outras, por receio de perderem suas residências, como confirma o depoimento seguinte: O que me faz permanecer nesta situação é que a casa é minha. Eu trabalho para sustentar eu, filho e casa. Eu não posso sair da minha casa com minhas filhas e viver de aluguel, ou então viver na rua pra deixar a casa pra ele [...] Agora, deixar minha casa pra ele, eu não vou deixar, porque eu não tenho condições de viver de aluguel. (36 anos, 4ª série, 9 anos de convivência, casada).
O caráter cíclico da violência, caracterizado através de momentos alternados de agressões e afetos, nutre uma esperança nas mulheres de que seu companheiro possa vir a se arrepender de suas atitudes e restabelecer um ambiente familiar harmônico. A gente pensa que vai mudar. Ao passar dos tempos, dos anos, a gente acha que aquele comportamento vai mudar, mas só piora; ele pensa que é nosso dono [...] (28 anos, 2º grau completo, 10 anos de convivência, separada).
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As relações entre homem e mulher são marcadas por uma desigualdade de poder que favoreceu o estabelecimento de um modelo de família patriarcal, na qual à mulher cabe a submissão e o não questionamento dos comportamentos masculinos. Esta atitude é também reafirmada pela idéia de sacralidade da família, tida como uma entidade inviolável, devendo ser protegida de qualquer interferência externa. Esta realidade é expressa no cotidiano, por frases do tipo “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”. Nesta tentativa de preservação da imagem familiar, os filhos são tidos freqüentemente como elos de ligação da vítima a seu agressor. As mulheres persistem na relação conjugal por desejarem criar os filhos junto ao pai.
O que me fez permanecer foi meu filho de oito meses. Porque meus pais têm 37 anos de casados e criaram os filhos juntos. (19 anos, 2º grau incompleto, 1 ano e 6 meses de convivência, separada).
As ameaças de morte têm sido outro artifício bastante utilizados pelos homens, como meio de aprisionar suas companheiras. Eles utilizam-se do medo para impedir a desvinculação da mulher a ele, e, sobretudo, o estabelecimento de um novo relacionamento afetivo. O que me fez permanecer nesta situação foi porque gostava dele e tinha medo, pois ele me vigiava. Chegava bêbado e me ameaçava, dizendo que se eu não ficasse com ele também não ficaria com ninguém. (27 anos, 5ª série, 13 anos de convivência, separada).
 
 

Publicações: 19/5/2010 - 0 comentário(s) [ comentário ] - [ ]
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 Toda a mulher tem direito a que se respeite sua integridade psíquica e moral. Na medida em que nossa sociedade produz modelos de comportamento desiguais a serem obedecidos por homens e mulheres, ou seja, a mulher é mais valorizada quando se dedica inteiramente à família, aos filhos, ao marido, ao cuidado com a casa etc., a violência psicológica contra a mulher passa a fazer parte da própria cultura. As práticas sociais e culturais baseadas em conceitos de inferioridade e subordinação da mulher passam a ter um valor positivo. Fica claro que, nessas circunstâncias, metade da humanidade passa toda a sua vida vivendo sob uma arraigada tensão psicológica.

De maneira geral, a violência psicológica está sempre presente na violência física e sexual contra a mulher, principalmente na violência doméstica ou intrafamiliar, quando o agressor é um membro da família. Neste contexto o agressor vai minando a auto-estima da mulher, anulando ou desclassificando suas emoções, desvalorizando suas realizações e ridicularizando-a em casa ou na rua.
Falam-se muito em violência doméstica, murros, pontapés e coisas bem piores. 
Este tipo de violência é mais fácil de denunciar, uma vez que existem marcas físicas da agressão. Mas existe um outro tipo de agressão que por norma não se fala, até porque não existem provas. É a chamada agressão psicológica, que se poderá se tornar tão ou mais agressiva que a agressão física, porque destrói a pessoa por dentro deixando marcas psíquicas, paralisando-a tornando-a paranóica, doente por dentro, no que existe de mais intimo. É existe um perfil para este tipo de agressor, que gosta de atrair mulheres, bem sucedidas profissionalmente, com boa estabilidade emocional e financeira. 
São indivíduos quase sempre simpáticos, extrovertidos e educados, com enormes complexos de inferioridade. 
Daí terem como objetivo a destruição de pessoas bem sucedidas que lhe estão próximo. 
Começam com pequenos “conselhos”, do gênero: “Está mais gordinha! Tem de prestar atenção à sua alimentação!”. “Depois vão avançando para discretos comentários em público, que a paralisem e a façam sentir insegura, sem que os outros percebam: “Estás com mau hálito”, “Estão a gozar com você,” Ouvi comentar que está mal vestida “““…
Perante isto, e com o passar do tempo à pessoa vai perdendo a auto-estima, enquanto que ele brilha cada vez mais. Aos poucos vai ganhando fama de tímida e lá se vai desculpando com o trabalho e o cansaço, recusando educadamente os convites dos seus amigos… E incrível como a vitima não consegue realmente perceber que está sendo manipulada, até que seja tarde demais.
Porque a violência começa de uma forma tão sutil, tão como se fosse até um carinho, um gesto de boa vontade, e quando percebemos já caímos. 
Curioso é que a vítima acredita o outro é o seu único amigo e mesmo quando o abuso é insuportável, há uma tendência enorme para acreditar nas críticas e nos insultos que lhe são dirigidos.
É de suma importância ter em mente que esse individuo é alguém com um enorme complexo de inferioridade, que não tem nenhuma segurança, e por isso vivi de tentar minar a auto-estima de outros, pois só assim ele se sentirá superior. Essa é a vontade de todo agressor, a de ser superior, é ele quem manda, ele que dá as cartas, ele é o senhor todo-poderoso, a quem todos devem respeito, e reverencias. Pessoas desse tipo vivem demarcando território, ele não quer mais não se interessa mais, mas o território é dele, ninguém pode se aproximar.
E por isso tipos como esses cometem assassinatos, como o que aconteceu em Rondonópolis, onde um psicopata entrou em um restaurante e assassinou sua ex namorada e seu padrasto e sua mãe, justificativa do assassino (que alias se sente ofendido, quando é chamado assim: ela o estava desprezando).
Homens desse tipo não conseguem viver se não estiver controlando todas as situações em volta deles. 
O medo tremendo que sentem em perder o controle da situação é tal ou mais do que o medo que eles nos causam. 
Nosso problema é que ficamos tão enredadas em suas tramas que não conseguimos ver o obvio. 
Em casa ele não liga, grita a toda a hora, manda-a calar, chama-lhe burra, diz-lhe que está com cara de velha e que nem vale a pena maquilar-se porque ainda fica pior… Em público, abraça-a, beija-a, elogia-a em voz alta, mas lá a vai humilhando em segredo, sempre à espera que tenha um ataque de fúria perante toda a gente que o acha o máximo, de forma a que todos concordem que endoideceu de vez, quando na verdade o doente é ele!
Reconhece este quadro?
Se a resposta for afirmativa, talvez esteja na altura de tomar uma atitude, mas não sem antes preparar um grande jantar de amigos, contarem umas histórias e anedotas, e lá uma vez por outra, aproxime-se dele com o sorriso mais convincente do mundo e segrede-lhe que, além de estar com um hálito de morte e um macaco na ponta do nariz, está mais mal vestido que um palhaço! Abrace-o e continue a distribuir sorrisos pelos seus convidados! Afinal, faz bem provar do próprio veneno!
É tão avassalador porque é uma situação em que você fica realmente sem ter como provar o que está se passando. 
Não tem como as pessoas saberem que você está falando a verdade. Que a verdade é que você esta sendo psicologicamente violentada. Não existem formas materiais de se provar uma situação dessas.
Vivemos isso por muitos anos, meus filhos e eu, mas parece que agora eu encontrei uma forma de dar ao malandro um pouquinho do seu remédio. Vamos ver se ele vai gostar...
 

Publicações: 12/5/2010 - 0 comentário(s) [ comentário ] - [ ]
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 As conseqüências das agressões sofridas no lar - se é se pode chamar assim uma casa onde há violência-requerem custos econômicos enormes, são despesas com médicos, apoio social e psicológico, abrigo, entre outros. Mas, o preço da violência ultrapassa o valor financeiro.

Dinheiro não é o empecilho para que isso seja solucionado. Melhor se fosse. O custo a ser levado em consideração é o pessoal e o social do sofrimento das vítimas.
Freqüentemente, a sociedade enxerga as agressões que acontecem dentro da casa do vizinho, por exemplo, como um problema localizado e, preferem não se interferir. Esse pensamento é bastante comum, já que não imaginam a ligação que há entre a violência daquela casa e a que ocorre na esquina. A agressão cometida num ambiente familiar não é menos grave, ou merece tão ou mais a atenção das pessoas. Além disso, as pessoas não costumam projetar as conseqüências da educação dada àquela criança agredida na casa do vizinho na sociedade. Pessoas que sofreram violência na infância, quando crescem, reproduzem essa atitude, tornando-se adultos violentos. A violência não é hereditária, mas sim aprendida.
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A família como base do desenvolvimento humano deveria ser o ponto de partida para uma criança receber orientação e amor. No entanto, diversas famílias proporcionam esse desenvolvimento moldado por agressões gratuitas ou aindaviolência justificada supostamente pelo amor. A perpetuação da violência assegura e reforça as relações de poder historicamente desiguais e injustas entre os membros da família. Seja do homem sobre a mulher ou dos pais sobre os filhos. Reproduz, dessa maneira, uma atitude doente, de geração em geração, que se repete e se agrava através dos tempos.
Esse comportamento está arraigado na cultura e, porconseqüência, na educação de todos; e, sem perceber, as pessoas encaram o problema como algo ‘aceitável’ e ‘comum’. É comum que não só as famílias que sofrem com a violência, mas também toda a sociedade fechem os olhos para as barbáries que estão por todos os lados gritando por socorro. As pessoas recusam-se a enfrentar tal realidade e, por conta dessa omissão - a qual pode ser chamada de cumplicidade -, permitem e até, por que não dizer, encorajam a violência.
É importante ressaltar que a autoridade dos pais na família deve ser fundamentada no respeito e não nas relações de poder exercidas pelos mais fortes sobre os mais fracos. Os pais fazem uso da necessidade que os filhos têm de seus cuidados e, com esse poder, manipulam a relação. O pátrio poder em relação à criança cria uma dependência ainda mais cruel ao passo que o filho fica à espera de amor, mas os pais podem decidir por conceder ou retirar esse sentimento, ou ainda transformá-lo em algo bem perverso.
Os pais são capazes de criar uma confusão imensa nos filhos quando maltratam e dizem que o fazem em nome do amor que sentem por eles. Nesse momento, as crianças chegam a relacionar a dor provocada pelos pais ao carinho que dizem sentir. A criança fica sem defesa pelo fato de tratar-se de alguém da família. Pois, se por um lado aprendeu a desconfiar de estranhos, por outro, disseram-lhe que ‘na família tudo é permitido’. O domínio sobre a criança pode ser exercido facilmente.
Todos os caminhos que levam à discussão sobre como educar os filhos, num momento ou em outro, chegam à violência como ‘solução’. A punição é resultado de tolerância cultural, a sociedade já está acostumada ao castigo físico como procedimento educativo, dentro de uma estrutura de poder autoritária. Tal situação é mantida pela figura do pátrio-poder,que permanece intocável.
Lamentavelmente, o que se ouve com grande freqüência é: ‘um tapinha não faz mal a ninguém’. Tal expressão não se justifica, já toda ação que causa dor física numa criança, varia desde um simples tapa até o espancamento fatal. Embora um tapa e um espancamento sejam diferentes, o princípio que rege os dois tipos de atitude é exatamente o mesmo: utilizar a força e o poder.
Muitos pais dizem crer que uma ‘simples palmadinha’ não é violência e que pode ser um recurso eficiente. No entanto, bater não passa de uma atitude equivocada de descarregar a tensão e a raiva em alguém próximo e que não pode se defender.
A mãe deixa sempre claro que o bebê que ela concebeu é ‘filho dela’ - o uso do indicativo de posse é inevitável e nem sempre traz uma conotação de orgulho e carinho. Muitas vezes, a expressão ‘o filho é meu’ carrega a intenção de mostrar aquem quer que seja que ‘faço o que quiser com ele, é meu’. Isso intimida a sociedade para que não haja interferência naquela relação de posse. A violência doméstica contra crianças assume contornos nem sempre brutais e evidentes, ou seja, nem sempre deixam marcas físicas. Muitas vezes, são constantes agressões ‘cuidadosas’ - para não marcar, atitudes que humilham, gestos de raiva, negligência e outras violências sutis que também deterioram, destroem, estraçalham, ou, no mínimo, atrapalham o desenvolvimento da criança e deixam conseqüências drásticas, não só no corpo, mas principalmente nas lembranças.
 

Publicações: 11/5/2010 - 0 comentário(s) [ comentário ] - [ ]
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 Considero-me e aos outros responsáveis pela sua morte, e também sinto inveja e ciúme das mães com filhos vivos, ressinto-me daqueles que acho não merecedores da vida ou merecedores da morte e sinto raiva de você meu filho por ter morrido e de Deus por ter te levado.

Ninguém consegue me dizer “nada de certo”, dias em que “grito para todos”. Estes sentimentos são tão estranhos só podem ser reconhecidos por via da negação. Eles são vividos como “não eu” não-possibilidades temidas que ameaçam transformar-me em uma “identidade negativa”, na pessoa que eu sempre evitei ser.
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Vejo como sinais da insanidade que se aproxima e se iludo a fim de escapar de meu caráter inerentemente conflitivos. Por exemplo, a fim de negar a sua morte.
Tentei “escapar” por meio caminhadas, compras, ou mesmo viagens. Já que “escapar” envolve escapar de mim, dos meus auto enganos temporariamente bem sucedidos frequentemente culminam em experiências de desligamento da realidade e despersonalização.
Como pode ser visto, os meus auto-enganos são bastante dolorosos; portanto, também são conflitivos. Eu, então, luto contra eles tanto quanto os gero.
Sou inextricavelmente atraída para o momento e o dia da sua morte é perseguida pela imagem de seu corpo. Construí uma imagem a da cena da sua morte e empreendo uma vigília na qual espera pelo seu retorno em horas rotineiras do dia durante épocas tradicionais do ano.
Repetidamente revejo a cena da sua morte e minha reação ao ser avisada a respeito dela, assim como várias cenas de nossas vidas juntos. Estas repetições são essenciais para mim; elas constituem minha luta para aceitar o fato e a finalidade da sua morte.
Nunca vou compreender isto plenamente. Existe sempre uma outra situação que revela outro significado. Tenho que viver com os aspectos desconhecidos da vida, morte e do futuro prematuramente interrompido, com minhas fantasias sobre o que poderia ter sido.
Vivencia esta frustração ao procurar uma razão para a morte, ingenuamente “reduzindo” o significado da vida ou da sua morte, ou persistentemente perguntando a Deus porque o filho morreu.  Eu me pergunto, até onde você poderia ter ido... E, então, em uma fração de segundo, tudo aquilo que se foi.... Eu não estou furiosa com Deus, mas eu me pergunto por que você partiu... Assim mesmo... Eu sei que continuo me questionando.”
Minha incapacidade em fugir do significado da sua morte resulta em incontroláveis ataques de choro que a esvaziam e esgotam e em sentimentos de fraqueza, solidão, ânsia, indiferença e incapacidade.
Tristemente, entretanto, sinto me abandonada pelos outros. Eles retiram-se na crença de que a sua morte de é insuportável, é como se a dor deles, fosse maior do que a minha, vivo estas repulsas e concluo que somente outros pais enlutados podem entender-me.
 
 

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 Eu tenho uma dor dentro de mim que não consigo me livrar. É como se uma parte minha estivesse sendo dilacerada. Presa dentro desta esfera conflitante, temo que serei dilacerada por minha dor.

Partes do meu corpo, especialmente meu estômago e ventre, detém meu filho.
É como se eu estivesse sofrendo um ataque contra o qual só posso lutar conflitantemente; como a morte do meu mundo; como a destruição do meu passado, presente e futuro.
 Tentei viver o presente como se você  ainda estivesse vivo, mas fui derrotada. Depois tentei viver como se sua morte não tivesse alterado de maneira irremediável a minha vida, mas também fui derrotada nesse esforço. Então agora sei que estou sendo atacada pelo meu luto e pela morte...Sou forçada a viver  num mundo que não inclui a sua presença viva, nem a possibilidade dessa presença posso ter. 
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Posso escolher entre lamentar ou não esse fato, mas não tenho escolhas quanto a viver nesse mundo sem você.
Sua morte para mim, não foi somente a morte do seu corpo, ou de um ser particular, não foi muito mais, foi a morte do meu mundo constituído. O meu mundo temporal vivido dia a dia, mês a mês... As coisas triviais que você gostava, que fazia, mesmo nossas brigas e discussões, que antes eram possibilidades, agora representam as impossibilidades. Ainda não consigo olhar para um doce de leite, suspiro, fazer chá matte, fazer massagens, e tantas outras coisas porque sei que você nunca mais vai esta aqui para apreciar. Eu sinto sua falta terrivelmente...
No inicio estava abrigada pelo estado de choque, atordoada com a enormidade da minha perda, incrédula de que isso realmente tivesse acontecido comigo.
 Nunca mais você irá participar criativamente, surpreendentemente, ou mesmo previsivelmente de um diálogo comigo.
Minha angústia em confrontar rejeitar, provisoriamente aceitar o significado desta finalidade estrutura meu luto.
Incorporei a sua morte como um vazio que  não posso preencher. A sua inexistência é meu vazio. Você sabe, nós brincávamos o tempo todo e isto tudo simplesmente se foi. Agora, qual é o meu sentimento? O que eu sinto? É somente um vazio... Você se foi... Assim. Eu penso às vezes também, se você tivesse ficado doente, ou se nós o tivéssemos visto, você sabe, sabendo que nunca ia melhorar, eu não sei se isso teria feito alguma diferença. Eu tenho sentido frio à noite.
 
 

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 Ainda me lembro de quando estava grávida de você, lembro-me de que foi uma época especialmente difícil para mim. Foi a confrontação da realidade que minhas escolhas foram totalmente erradas, baseadas em desespero, em erros que me levaram a outros erros...

Quando fiquei grávida de você, não pude mais deixar de enxergar que o pai que eu escolhi para vocês, que o homem que eu escolhi para viver ao meu lado, era na realidade um monstro. Uma pessoa sem a menor sensibilidade ou empatia pelos problemas do outro, mesmo que esse outro fosse eu, sua irmã ou você. Alias para ser realista, não mesmo que se fosse, é principalmente se fossemos nós. Um homem capaz de caluniar, de fazer com que minha vida se tornasse um verdadeiro inferno, pelo simples fato de que isso lhe dava prazer, ainda não sei o que dói mais, se o fato de ter sofrido tanta violência durante minhas gravidez, ou se o fato de ter descoberto que elas foram muito bem planejadas..., talvez isso tenha começado a influenciar você, ficávamos sozinhos sua irmã, eu com você dentro de mim, o dia todo, tendo como comida arroz e tomate, outras vezes ovos e arroz, o pão era comprado nas promoções e vinha de cinquenta ou até mais e ai tínhamos que come-lo ao longo do tempo do jeito que tivesse....mas não era por falta de dinheiro, dinheiro esse monstro sempre teve muito, era por pura crueldade...meu Deus como demorei para descobrir isso, como eu me achava poderosa a ponto de acreditar que eu tinha o poder de mudar uma mente tão demoníaca...
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Lembro do dia que você foi nascer eu e sua irmã, fomos ao ginecologista, porque já fazia dias que eu não estava me sentindo muito bem. Ela disse que você já estava passando da hora de nascer, que teríamos que fazer o parto o mais rápido possível, quando sai da clínica e fui descendo a rua, sua irmã disse que já estava cansada... Ela tinha apenas quatro aninhos, eu a peguei no colo, nesse momento seu pai passou de carro, parou perguntou por que tínhamos saído de casa, eu disse, disse que tinha que ir urgente para o hospital, você já estava querendo vir ao mundo a muito, ele simplesmente me disse então vai pra casa com a menina, que mais tarde eu vou lá te pegar...
Meu Deus, quanta falta de consideração, quanta falta de humanidade... Muito tempo depois eu fui saber que naquele momento estava indo temperar uma carne para um churrasquinho com os amigos de pescaria... Lembro-me que quando você tinha vinte dias tive que te deixar com uma empregada e sair para buscar trabalho, porque não aguentava mais aquela vida de miséria, de calunia de difamação, de descaso...
Sabe “Vi” uma cena que não me sai da cabeça é quando você fez um aninho, eu consegui comprar um velotrol para você, fiquei tão feliz, e você quando recebeu o presente, lembro até agora da sua felicidade montado naquele velotrol azul, que comprei com o meu salário, seu pai estava em uma pescaria como sempre, quando chegou nervoso, ele estava “nervoso” com a gente, ele chutou o velotrol até quebrar o guidon, lembro da tristeza estampada em seu rostinho, da dor que você deve ter visto espada em meu rosto... Uma semana depois ele arrumou um pedaço de pau e arrumou o guidon, mas eu sempre que olhava para o velotrol me lembrava dos coices, e acredito que você também. 
Você aprendeu muito cedo meu filho a violência, a mais extrema e cruel forma de violência, a que é cometida com os seus, a violência silenciosa que não podia sair de dentro de nossa casa, a violência que tinha que ser fingida, escondida, engolida... Talvez por isso você roía sua unhas, assim como eu comia muito para esconder dentro do excesso de gordura o medo, a humilhação, a dor, você roía suas unhinhas para não externar a barbaridade que estávamos todos nós vivendo,experimentando...foram anos terríveis aqueles, alias você meu filho teve uma vida difícil muito difícil, tenho que admitir isso, fico me perguntando porque só agora tenho consciência de tudo isso?
 

Publicações: 4/5/2010 - 0 comentário(s) [ comentário ] - [ ]
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Ser mãe é padecer no paraíso, quanta alegria e celebração à mulher que pode dizer isso – ela é mãe de filho vivo. Mãe de filho morto é mulher que desce ao inferno da dor, do desespero e da depressão. Sua vida, de céu não tem nada, há apenas um quedar-se insone, ansioso e impotente diante de um destino que não pode mudar. Se mães pudessem pressentir a morte inesperada de filhos, em crimes e acidentes, ou salvá-los de morte anunciada por enfermidade que vai se estendendo, simbolicamente tentariam aquilo que é fisiologicamente impossível: pelo mesmo e agora já inexistente cordão umbilical, através do qual os colocaram no mundo, os trariam de volta ao aconchego do útero. Sim, é nele, útero, que a constante dor emocional da morte, quase sempre psicossomatizada, lateja fisicamente.
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Sinto dores intensas em meu útero até hoje – útero que já foi preenchido pelo feto, feto que virou filho, filho que virou sepultura. A dor não passa jamais. Emocional e fisicamente, é como se ela fosse mudando de lugar e me machucando em espaços diversos. O falecimento de um filho é dor que dói na alma e no corpo. Não há superação, mas tão somente adequação de seu dia a dia ao sofrimento.
Às vezes, quero acreditar que o meu filho não morreu. Há uma razão para isso, pendulando entre a filosofia e a biologia, essas duas áreas do conhecimento que são também elas, mães – preciosas mães do entendimento da condição humana: existem na vida dois fenômenos irreversíveis, ou seja, a maternidade e a morte. A mulher é uma mulher e quando dá à luz passa a ser uma mulher-mãe. Se seu filho morre, ainda assim ela continua sendo mãe.  “Não existe ex-mãe”.
A DIFICULDADE DE OLHAR NO ESPELHO
Acredito que para toda mães que passa por uma experiência dessa a vida muda naquilo que é mais perceptível, ou seja, na rotina, na saúde, no ânimo e nos projetos. Mas muda também, e em doses alucinantes de padecimento, naquilo que é inconsútil, mas se torna marcado para sempre: a alma. “Onde está o meu Vi para eu abraçar, cuidar, beijar”? É como am****r um braço, não se recupera mais. É uma dor que é um buraco que nada preenche. Falou-se em alma da mulher-mãe, falou-se no desejo impotente de amparar o que já é inerte e assim faz-se necessário voltar aqui à teoria do luto. O que é essa alma? Como se dá o processamento da irreversível perda? O projeto de maternidade, bem como a maternidade consumada, é para a mulher uma espécie de “prolongamento de seu ego”, assim ensinou a humanidade o criador da psicanálise, Sigmund Freud, e dois de seus mais geniais seguidores – embora tenham rompido com o mestre no andar da carruagem do conhecimento humano – Melanie Klein e Jacques Lacan. Pode-se dizer, mesmo, que “é um ato narcisista da mulher e na criança ela vai projetar a si própria, o que não quer dizer que não a ame profundamente e para sempre”. Assim, quando o filho morre, três dores se sobrepõem. Em primeiro lugar, o “espelho-lago da mitologia de Narciso”, presente em todos nós, se parte e muitas mães órfãs mal conseguem olhar-se de fato num espelho de verdade. Eu não conseguia no início olhar no espelho, o meu olhar sangrava a minha alma. Fiquei oca. Em segundo lugar, a morte do meu filho interrompeu toda a perspectiva de futuro que depositei nele, inclusive o futuro de ver seus genes se fortificarem e se perpetuarem – essa é parte emocional e novamente não tangível, mas contam também os projetos visíveis de vê-lo estudar, viajar, fazer dele uma pessoa e tê-lo como uma grande e constante companhia. Com ele vivo o mundo era uma escada rolante subindo; quando ele morreu, nem se pode dizer que essa escada rolante parou. Na verdade, ela desceu despencando.
A CULPA POR ESTAR VIVA
Ocorreu em mim uma inacreditável descontinuidade. Eu perdi meu presente e, sem presente, naufragou meu futuro. Finalmente, a morte de um filho interrompe o inexorável, mas natural caminhar do tempo: estamos culturalmente preparados para assistir, primeiro, à morte de nossas bisavós, avós e pais – ou seja, daqueles que primeiro chegaram ao mundo. O falecimento do descendente, portanto, interrompe essa ordem estabelecida de vida e morte e a mulher-mãe enlouquece ao triste estilo dos incrédulos que não se cansam de perguntar “por que, por quê? Por quê?”. Dá culpa muito sentimento de culpa. Em meu caso, também a culpa, como se culpa houvesse, se desdobra em dois planos. Novamente a culpa da alma, a da ordem natural interrompida de nascimento, crescimento, envelhecimento e morte. Há o desespero que somente a desesperada sabe qual é. Agora, no angustiante luto cercado de símbolos, eu atravesso noites a fio me indagando: “Vi” essa cena não está invertida? Não sou eu que tenho de estar morta e você vivo? Despedaçada prossigo.
Na subversão do tempo dos vivos e dos mortos, quando gente pequena morre antes de gente grande, ou na “traição do tempo”, como às vezes prefiro definir, já não vale o lugar-comum que repetimos e julgamos toda dor aplacar: “Dê tempo ao tempo que a dor passa.” Não. O tempo estanca e não há lenitivo; e entre aqueles que se especializam em cuidar delas é impossível quantificar um período de luto. “Perder um filho é o maior stress que o ser humano pode passar. Não dá para dizer quanto dura esse luto, ele pode ser eterno”, diz a psicólogo Éster Affini, especializada no atendimento desses casos. Luto eternizado e tempo estancado.
Que nome dar a essa dor?  Essa dor não tem nome. 
 

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 Um milhão de mulheres celebrando sua menstruação

 
O grupo de círculos de mulheres do Projeto Clã dos Ciclos Sagrados, coordenado por pela terapeuta Sabrina Alves, carioca de nascimento e paulista de coração, reaviva uma campanha que pretende ter ação mundial entre as mulheres para valorização dos ciclos de sangue feminino.
 
A campanha com nome original em inglês “Menstrual Monday”, ou a “Segunda Vermelha” adaptado para o português, convoca a mulher contemporânea a participar ativamente de sua própria vida, redescobrindo e compartilhando com outras mulheres sua essência, empoderando-se e tornando-se uma forte agente transformadora de si mesma, de sua comunidade e do Planeta.
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.::História da Campanha::.
Com nome original em inglês “Menstrual Monday”, ou a “Segunda Vermelha”, adaptado para o português, a campanha convoca a mulher contemporânea a participar ativamente de sua própria vida, redescobrindo e compartilhando com outras mulheres sua essência, empoderando-se e tornando-se uma forte agente transformadora de si mesma, de sua comunidade e do Planeta.
 
A primeira vez que se comemorou foi em 2000, idealizado por Genebra Kachaman e Molly Strange. Elas arrumaram um jeito de incentivar as mulheres a ritualizarem suas menstruações e o fizeram com manifestações artísticas. Na época, a campanha teve adesão da França, Canadá, Escócia e Quênia. Kachaman e Strange diziam que a intenção da campanha era criar um senso de diversão em torno de menstruação; para encorajar as mulheres a assumir a responsabilidade da sua menstruação e de saúde reprodutiva, para criar uma maior visibilidade da menstruação nos meios de comunicação social; e para reforçar a honestidade da menstruação em nossos relacionamentos.
 
Na realidade a campanha foi um efeito contrário à grande quantidade de registros do chamado “choque tóxico” provocado pelos tampões internos naquela década de 90 e por tudo o que ele representa para a mulher: vulnerabilidade, vergonha, invasão, agressão e uma infinidade de doenças arrebatadoras e outras tão silenciosas quanto fatais, como o câncer de útero. Os tampões vão bem, obrigada, e pra quem trabalha com saúde da mulher, como eu sei que o número de casos de “choques tóxicos” com tampões e absorventes descartáveis continua de vento em polpa, no mundo todo. Menos na Índia, porque lá elas nem sabem o que é isso. Bom, sorte a delas. 
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 O movimento “Segunda Vermelha” parte de uma releitura dos aspectos femininos que se contrapõe ao movimento feminista da década de 70, onde os processos cíclicos da mulher foram caracterizados como uma desvantagem para a dis**** com o homem pelo mercado de trabalho. Ele é fruto de novas perspectivas em relação à mulher e a natureza, o que ficou denominado como ecofeminismo, que revela um novo corpo feminino que se molda e vem surgindo em movimento de valorização dos aspectos e protagonismo femininos revelando um enorme potencial das mulheres em mudar o curso da história. A campanha não pretende excluir o homem das novas atividades dessa nova mulher; ao contrário, é um chamado para valores como honra e respeito à diversidade, principalmente à multiplicidade dos aspectos da mulher.
 
O movimento tem como mote o dia das mães. Por que a menstruação vem antes e, muitas vezes, depois dela também. E na verdade é a grande liga, o grande fio condutor da vida, o sangue. Mas eu queria dizer mais uma coisa sobre esta data escolhida para representar a Segunda Vermelha: inicialmente Julia Ward Howe criou o “Dia das Mães para a Paz” nos Estados Unidos. É, pois é, o dia das mães era político/espiritual. É verdade também que a visão oportunista americana o transformou em uma data “capitalistamercadológica”, porém vejo em nossas mãos a chance de redefinir esta data novamente.
 
O fato é que os anos que se seguiram, a campanha foi tomando forma. Com alguns registros em outros países. E sempre comemorada, mantida e coordenada por Deanna L’am nos Estados Unidos. E assim, pela ação cada vez mais pungente dos novos movimentos de mulheres conheci DeAnna L'am, pois partilharmos do mesmo estilo de trabalho. Ela Compartilhou a proposta. Achei linda e viável. Convidou-me pedindo que eu coordenasse a campanha na América do Sul. Eu recebi. Gestamos. E na SEGUNDA VERMELHA 2008 LATINA todas “vermelharam” juntas em um só ventre e coração.
 
Em 2009 tomaram-se novas esferas, novas mulheres partilhando. Em 2010 foi criado o Blog / http://segundavermelha.blogspot.com / com o intuito de gerar material de informação para os próximos anos da Campanha no Brasil e a possibilidade de criar um museu virtual, de modo que todas as ações das mulheres pelo Brasil fiquem registradas.
 
.::Campanha Segunda Vermelha 2010::.
Este ano a campanha será no dia 03 de Maio, uma segunda-feira, claro!
E está direciona à arte visual.
Acesse o Blog e veja como aderir adequadamente à Campanha.
 
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OBS: Quem quiser enviar a convocação que está fazendo em sua cidade para a gerencia do blog para ser publicado, é só escrever para: cladosciclossagrados@yahoo.com.br
 
A todas as mulheres que, ao tomarem conhecimento de seu Poder de Sangue, sentiram-se a mais poderosa das mulheres, minhas sinceras reverências.
 
Sabrina Alves
1 MILHÃO DE MULHERES CELEBRANDO SUA MENSTRUAÇÃO!! Porque menstruar intensifica a vida
Dedicado a re-emergencia da Cultura da Mulher. Ativismo menstrual em ação!
Iniciativa Brasil: WWW.CLADOSCICLOSSAGRADOS.COM 
 
Sabrina Alves
Coordenadora
Clã dos Ciclos Sagrados
"Mulheres em círculo para honrar seus ciclos; avançando fronteiras e tecendo redes."
www.cladosciclossagrados.com
http://circulosagradodevisoesfemininas.blogspot.com
http://segundavermelha.blogspot.com
http://ayurvedaparamulheres.blogspot.com
http://rusticacuisine.blogspot.com
 

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  Sentimos frustração, raiva, em alguns momentos a dor é tão grande que é necessário o auxílio de alguém, pois não dá pra carregar sozinha.

 
Existe uma experiência que todo ser humano compartilha que é a PERDA de alguém ou de algo muito próximo.  Esta situação repentina, súbita, mas o que também há de comum é que jamais temos o poder de controlá-la.  Isto faz com que soframos muito. Lembranças e sentimentos permeiam este momento e muitas vezes nos sentimos derrubados e até mesmo incapazes de conseguir continuar respirando.  São sensações físicas, emocionais e espirituais desagradáveis e que se alternam de forma a não conseguirmos controlar.
 
Perguntamos o motivo daquela PERDA e daquele sofrimento, mas no momento exato da PERDA não conseguimos tirar nenhum ensinamento... Apenas sofremos. O sofrimento, a dor é a finalidade! Há uma realidade indiscutível: o ser humano aprende na dor e não no amor. O sofrimento expressa nossa insegurança básica e nosso medo do abandono, a certeza de que vivemos num mundo no qual controlamos muito pouco ou quase nada. Sentimos o desamparo e a vulnerabilidade, somos obrigados a encarar todas as emoções sem anestesia.  Na verdade não queremos nos deparar com tudo isso, pois nosso instinto básico é “evitar a dor”, digo, “evitar o desprazer”.
 
Vivemos no mundo dos opostos, assim como existe o dia, existe à noite; existe em cima e em baixo; existe o positivo e o negativo para nos sentirmos humanos.  Não é possível usufruir as emoções positivas sem conhecermos as negativas, até para que possamos ter termos comparativos. Por esse motivo é tão importante enfrentar e experimentar as emoções negativas, sem negações ou repressões, para que não retardemos nosso crescimento emocional, psicológico e espiritual.  Sentir a nossa maneira, pois não existe a forma certa ou a errada de sofrer.
Infelizmente vivemos numa sociedade hipócrita em que os verdadeiros sentimentos devem ser escondidos e comedidos dentro da expectativa do outro.  Não é saudável reprimir nossos sentimentos, quanto mais à dor da PERDA. Quando morre alguém que amamos, perdemos o emprego ou uma amizade, perdemos um pouco da esperança tristeza e perplexidade. Sofremos pelo que não foi feito ou dito, ficamos nos perguntando o que mais poderíamos ter feito ou o porquê de morrer os bons e os maus não... Ou porque morrer uma criança de 16 anos,  cheio de vida, com todo um futuro para frente, com tantas coisas a fazer, a aprender, a doar, como o meu filho e não um doente em fase terminal que está sofrendo em um leito de hospital?
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A maioria de nós não está preparada para ter arrancado de si alguém ou algo importante, portanto toda perda nos remete a determinadas fases.  Nossa primeira reação a uma perda é o “choque”, a descrença total. Por não estarmos preparados, quase sempre somos apanhados de surpresa.  O mundo vira de cabeça para baixo e perdemos completamente o controle de tudo.  Não conseguimos entender o ocorrido e ficamos meio que anestesiados. O impacto nos impede de reconhecer como fato real. Ficamos entorpecidos, as pessoas falam conosco e nada compreendemos. O choque é um mecanismo de defesa quando o sofrimento é demais e não somos capazes de lidar com as consequências da PERDA.  Quando o choque começa a diminuir, passamos entender a realidade. 
 A “negação” está diretamente ligada à etapa anterior e as duas ocorrem quase que simultaneamente e são defesas.  Quando negamos, evitamos o confronto com a realidade.  O tempo que cada fase demora na vida de alguém não dá para prever.
A raiva e a tristeza são sentimentos que fazem parte do que sentimos no momento que perdemos algo ou alguém. Corremos o risco do afastamento da realidade de que a dor é parte da vida e não há vacina contra PERDAS. Senti raiva da forma como perdi o meu filho um acidente, e se tinha mais dois amigos dele com ele, porque só ele morreu, por quê? Não consigo até agora assimilar isso direito.  Contudo sei que esse sentimento de raiva prolongado mina o meu emocional e o meu físico, assim como a tristeza desmedida que sinto pode tornar-se uma depressão.
 Mas não consigo controlar a culpa. Imagine uma mãe que perde seu filho em um acidente?
A aceitação é a fase que estou tentando aprender agora nesse processo de perda.  Quando aceitamos efetivamente a situação como ela é, com dor e tudo, quando reconhecemos que nada poderia ser feito e que tinha que acontecer e que nos resta “catar” os pedaços, aprender com tudo aquilo e recomeçar.  Recomeçar dolorido, porém mais forte.
 Não há regras estabelecidas ou limite de tempo, mas a força da vida estará atuando sempre ao tomarmos consciência de que a vida nos é dada com um determinado número de situações que não podemos controlar ou mudar.  Neste momento podemos reinvestir em nós mesmos e em nosso futuro, somos capazes de aos poucos ir optando pela vida, revendo valores e tomando decisões que nos beneficiam.
 Seja qual for à decisão, será sempre uma oportunidade surgida do que PERDEMOS e, embora a vida não possa mais voltar ao que foi um dia, ela tem a capacidade fabulosa de renovação e de descoberta de novos caminhos. Certamente há sempre coisas a fazer enquanto habitamos esta sala de aula que se chama Terra.
 
 
 
 

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 O que se passou com o Vi? Porque ele não conseguiu acreditar em outra saída senão a de ir para o caminho que ele estava trilhando? Eu sabia de sua agressividade, muitas vezes de uma freqüência assustadora, passando a ocupar territórios essenciais na idade ainda em transição e que se apresentavam em seus abalos e turbulências muitas vezes incontornáveis. Dos seus adoecimentos, sentidos e sofridos.  Havia em você meu filho uma impulsividade que é própria do adolescente. Mas os conflitos estavam, presentes, e produziu seus efeitos desastrosos e devastadores, que irrompem de uma maneira traumática, irrisória, drástica, assustadora e, até mesmo, insana. Foi um movimento por demais agressivo, inconsciente, mas que apresentou força suficiente capaz de promover danos irreparáveis. A sua violência era desencontrada, contra você mesmo.  Perdi as contas de quantas vezes eu fiquei a noite pensando nessa sua raiva interna, nessa violência que você trazia dentro de você. Filho você se comia em vida, roia suas unhas, comia suas sobrancelhas. Era uma violência surda, que acredito que você mesmo tinha medo do poderia acontecer. 


Hoje eu acredito que você estava sofrendo os embaraços da dor herdada, da violência que você presenciou durante toda a sua infância, não só presenciou como também foi vitima. Por alguma razão, você não conseguiu reverter o rumo da história recebida, daí, sofreu os efeitos devastadores dos ideais contrariados de seus ancestrais. Por alguma fragilidade psíquica você não conseguiu se dar a chance de assumir e se apropriar de sua própria história retificando a má sorte que uma equação de vida lhe impôs como algo tão maldito. Não há culpados na história.  
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De algum modo tenho que me tornar responsável pela história que você recebeu.  Foi o peso desta história recebida que te levou a não suportar viver? Uma história que se estrutura pelo viés dos efeitos de inconsciente – de uma boa ou má sorte – que ela mesma instaura.
A herança simbólica que cada um de nós recebe, até mesmo antes do nascimento, com a interrupção de uma vida, cessará de ser transmitida para filhos e netos, restando, nesse vazio, nada mais que um ponto de sacrifício habitado por interrogações silenciadas. Herdamos uma vida por onde florescem todos os pecados do mundo, vale dizer, do pai, da mãe, dos nossos antepassados. Votos de vida e votos de morte. Cada um de nós terá que aprender a lidar com a sua história de uma maneira particular, a partir de um estilo de vida. Mas temos oportunidades e meios para mudar os rumos de uma má sorte.
 Eu desejava que você vivesse cada vez mais. Queria ter podido te dar uma boa infância, e que você pudesse ter tido a chance de participar das brincadeiras com outras crianças. que crescesse e se tornasse independente que estudasse e cursasse uma universidade, que encontrasse um caminho vitorioso na vida amorosa e profissional. Queria mais ainda, deseja, verdadeiramente, que você estivesse presente quando eu morresse que você enfrentasse e superasse as dificuldades.
 Mas tenho que admitir o medo, a covardia, e a mascara da vitima coitadinha, não me deixaram tomar uma atitude que pudesse ter proporcionado a você e a seus irmãos, tudo isso que qualquer criança tem como direito nato. Eu os privei de uma vida normal, os privei quando não tive atitude para mudar o rumo de nossas vidas.
 Eu não te perdi, eu perdi, perdi tudo. O buraco que ficou é um rombo.  Você carregou algo de cada um de nós, que, por sua vez, algo de você está em mim, em sua irmã e no seu irmão, para sempre. Também nas vizinhanças, há ressonâncias dos estilhaços de perdas que promovem feridas por vezes não cicatrizáveis.  A perda de um filho. Eis, aí, a dor maior que habita a alma humana. 

 O que se passa aqui? Não somos mais os mesmos, logicamente. A sua morte provocou uma desestruturação, uma quebra dos vínculos, uma ruptura dos laços que sustentava uma então cumplicidade necessária para se viver em família. Mas alguma coisa ainda vive aqui para além do que se poderia imaginar. O tempo não curou. Não há mais lugar para a alegria, para o diálogo. Ela está pesada, pesarosa. Estamos fechados em nós mesmos.  Não podemos respirar vida. Eis o problema maior. Não há lugar para a palavra, ela não circula. Você está posto, alocado em proporções distintas em cada um, de nós, fazendo parte, impedindo que a falta se coloque, que possa circular, dando a ver lugar para a fala e para a palavra. Desejos amortecidos, ninguém se autoriza desejar. 

Estou imersa num gozo culposo e lamentador. Caindo na ressente da dor da perda, não faço outra coisa senão ruminar dentro de mim o peso de um fracasso.
Questiono-me sobre o acontecido, sobre minha parte nisso tudo.
 

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 A conversa de hoje possui uma forte tendência a se tornar polêmica, a partir do título deste artigo. Peço a (o) caro (a) leitor (a) que tenha calma e tente ler até o final.

Em nossa cultura, a violência contra a mulher é aceita; e normas não escritas sugerem que a mulher é a própria culpada da violência por ela sofrida, apenas pelo fato de ser mulher.
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A origem, o pecado original, é a idéia falsa de que a mulher deve ser, porque sempre foi um ser inferior, uma subespécie humana, incapaz por natureza, pouco afeita aos fazeres públicos e intelectuais.
Lamentavelmente, este (pré) conceito cultural, construído historicamente, de que a mulher é um ser submisso, paradoxalmente, é assimilado, aceito e reproduzido também pela maioria das pessoas do sexo feminino.
Aliás, ele somente se tornou de difícil superação porque a maioria esmagadora das mulheres não possui condições de compreender esta contradição. Agem como seres submissos.
O outro lado da moeda, o machismo, igualmente é reproduzido - e até fortalecido - pela maioria das mães, tias, vizinhas e professoras; ou seja, aqueles segmentos sociais responsáveis pela educação lato sensu das nossas crianças em seus primeiros anos de vida.
A reprodução do preconceito começa na escolha das roupinhas do bebê, com ele ainda na barriga da mãe: rosa para as meninas e azul para os novos machinhos.
Logo que nascem, seguem as regras para brinquedos e brincadeiras: os meninos jogam futebol, aprendem lutas marciais, ganham carros, armas e roupas de super-heróis para brincar, coisas de machos que se preparam para dar porrada e impor suas vontades numa vida de aventuras, nas ruas. As mocinhas, ao contrário, são orientadas para o recato do lar, e ganham presentes de bonecas, produtos de beleza e cozinha, coisas de quem se prepara para uma vida dentro de casa, seguindo as normas vigentes, e pautadas pela opinião da vizinhança.
Ou seja, a violência exercida pelos homens contra as mulheres, no Brasil como em qualquer parte do mundo, é autorizada, sancionada, pela sociedade patriarcal.
Sociedade reforçada pelas religiões judaico-cristãs, nas quais a figura feminina é sempre uma figura subalterna ou de menor poder, a partir da própria idéia do Pai Salvador (Nossa Senhora não faz, apenas intercede junto ao seu Filho); mesma lógica estende-se a sua hierarquia dominada pelo sexo masculino (o Papa, Cardeais, Pastores, Rabinos, Sacerdotes, todos do sexo masculino).  Aqui no patropi, exceção se faça, em respeito à verdade, aos orixás da Umbanda, os quais incorporam divindades dos dois gêneros.
Como livre pensadora, ouso achar que a Lei de Deus deveria permitir que o ser humano estivesse sempre em condições de exercer seu livre arbítrio. Todavia, sou voto vencido.
Lamentavelmente, o espancamento de namoradas, esposas e amantes por seus companheiros é uma questão da vida privada, na qual a sociedade (patriarcal) "não deve intervir".
Diante de casos de violência contra mulheres, é comum que os comentários machistas predominem até mesmo sobre a natural rejeição ao ato de agressão. "Alguma ela fez" ou, na melhor das hipóteses, "melhor não tomar partido". Sem falar nos casos de estupro, quando, freqüentemente, se critica a sensualidade excessiva dos trajes das mulheres, responsabilizando-as e justificando o estuprador. Como propriedade do macho, "a mulher é a culpada".
Essas atitudes preconceituosas são exercidas também por profissionais de saúde e policiais, resultando algumas vezes em tratamento inadequado.
Ainda bem que, como diria Mahatma Gandhi, "Deus não tem religião".
Entendo Deus como um ser cuja única definição é que ele está além do poder do entendimento humano.
Resumo da ópera: a mulher, premida por circunstâncias que ela própria não compreende, na maioria das vezes, retira a queixa-crime contra o seu agressor, perdoa-o, e continua a viver com o mesmo e a conviver com sua dor. E quando essa mulher-mãe tem apenas nove anos de vida? Seria também a culpada?
Como diz o Chico em "Umas e Outras", "o acaso faz com que se cruzem pela mesma rua olhando-se com a mesma dor". Até quando?
 
 

Publicações: 26/4/2010 - 0 comentário(s) [ comentário ] - [ ]
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 Um dos maiores obstáculos para uma vida harmônica, plena, mais expressiva e significativa é o medo de perder, sobretudo medo de perder alguém, o medo de perder quem dizemos amar: cônjuge, filhos amigos, patrão, empregado, cliente... Esta emoção é a principal responsável pelo nosso sofrimento vital.

O medo de perder é o medo de tornarmos dispensáveis para a pessoa com a qual estamos nos relacionando, ele se reverte de mil e uma formas, aparece sobre mil disfarces, como o medo de sermos criticados, que falem mal de nós, medo de que nos humilhem, de sermos rejeitados, de não sermos importantes, de sermos menos prezados, de não sermos amados, medo da solidão, e tudo isso pode ser designado por uma palavra : Ciúmes!
O ciúme é o medo de não ter alguém, de não possuir alguém, de não ser dono de alguém. Na relação ciumenta colocamos: nós e o outro como objeto, nesta relação pessoas e objetos são a mesma coisa. No ciúme temos medo de um dia sermos considerados inúteis, dispensáveis a outra pessoa, esta é a emoção do apelo, confusa, misturada, dependente e o que agrava é que na nossa cultora aprendemos como se o ciúmes sendo amor, e ele é justamente o oposto do amor, pois na relação amorosa existe identidade, eu sou independentemente de você, na relação ciumenta, por outro lado, perde-se a identidade: eu sem você não valho nada, você é tudo para mim.
O amor é solto, é livre, vem de querência intima, está diretamente ligada ao sentimento de liberdade, de opção, de escolha. O ciúme prende, amarra, condiciona, determina, com essa emoção eu já não sou eu, sou o que o outro quer que eu seja. E eu sou assim para que ele seja aquilo que eu quero que ele seja.
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No ciúme há um pacto de destruição mútua, cada qual, usa o outro como garantia de que não estará sozinho. Eu me abandono para que o outro não me abandone, eu me desprezo para que o outro não me despreze, eu me desrespeito para que o outro não me desrespeite, eu acabo me destruindo para que o outro não me destrua.
O ciúme é o medo de ser dispensável a alguém, e o mais grave talvez esteja aqui, nós passamos a vida inteira com medo de tornarmos algo que nós já somos: TOTALMENTE DISPENSÁVEIS!
O homem por definição é dispensável, transitório, efêmero, aquilo que passa, e isso é bastante real. Em todas as relações que temos somos hoje, somos substituíveis! O mundo sempre existiu antes de nós, está existindo conosco e continuará existindo sem nós. Somos necessários aqui e agora, mas seremos dispensáveis além e depois.
O medo de ser dispensáveis a alguém é o mesmo medo que temos da morte, que é real, pois o medo da morte é o ciúme da vida, é a vontade irreal de sermos eternos e imutáveis. O medo de perder nos dá a entender que as coisas só valem se forem eternas, se forem permanentes e duráveis. Uma relação só tem valor se tivermos garantia de que a vida sempre será assim como é. E, como tudo é transitório, como tudo é passível de transformação, o medo de perder nos leva a um estado contínuo de sofrimento.
As conseqüências do ciúme são muito claras. Se eu tenho medo de que me abandonem, de que não me amem, de me tornar dispensável, ao invés de fazer cada vez mais para que cada vez mais eu seja melhor, acabo gastando toda a minha energia para provar ao outro que eu já sou o mais, que eu já sou o melhor, que eu já sou o primeiro!
Ao invés de empenhar esforços para ser um cônjuge, um filho, um amigo, um pai ou uma mãe cada vez melhor, eu gasto toda a minha energia tentando provar a eles: que eu sou o melhor cônjuge do mundo, o que é uma mentira; o melhor filho do mundo, o que é uma mentira; o melhor pai ou mãe do mundo, o que é uma mentira; o melhor amigo do mundo, o que é uma mentira; e assim por diante...
O ciúme no conduz ao delírio da onipotência, os nossos atos, nossas iniciativas, a nossa conversa, o nosso comportamento, as nossas considerações, tudo isso é para mostras ao outro que já somos bons, capazes e perfeitos. Aqui está a diferença básica e fundamental entre o medo de perder e a vontade de ganhar.
O medo de perder é assim... Ganhamos ninguém vai nos tomar o que já possuímos, para conservarmos o que já ganhamos... E com isso nós já chegamos ao ponto máximo, só temos que perder.
À vontade de ganhar por outro lado, é assim... Estaremos sempre ativos, descobrindo oportunidades do ganho, procuraremos ganhar cada vez mais em vez de nos preocupar com possíveis perdas.
O que temos de mais sagrado é a nossa própria vida esta nós já vamos perder, todas as outras perdas são secundárias.
O medo de perder é reativo, defensivo, justificativo! As pessoas ciumentas estão sempre se prevenindo para não perder, sempre se preparando, sempre se conservando.
As pessoas, com vontade de ganhar estão sempre optando, arriscando, o medo de perder é a vivência do futuro, é a vivência antecipada do futuro, é preocupação. À vontade de ganhar, por outro lado, é a vivência do presente, é a vivencia da beleza do presente.
Em tudo, a cada momento existem riscos e existem oportunidades. No medo da perda a pessoa só vê os risco, na vontade de ganhar a pessoa também vê os risco, mas, sobretudo, vê as oportunidades. Cada momento da vida é um desafio para o crescimento. A vontade de ganhar, a qual nos referimos, não significa ganhar de outra pessoa, e sim ganharmos de nós mesmos, ser cada vez mais, estar disposto a dar um passo a frente, estar sempre disposto a crescer um pouco mais. É importante termos para nós, que hoje podemos crescer um pouco mais do que éramos ontem, que ninguém chegou ao seu limite máximo, que idade adulta não significa que chegamos ao máximo de nossas potencialidades, não existe pessoa madura, existe sim, pessoas em amadurecimento.
Todo nosso crescimento se dá por uma paralisação de nosso crescimento pessoal, e cada um de os sabe muito bem onde paralisou, onde nossa energia está bloqueada, onde não está tendo expansão de nossa própria energia.
Ainda, não vimos até hoje, um relacionamento se deteriorar sem a presença marcante do ciúme, do desejo de sermos donos da outra pessoa, de ter poder e controle sobre as ações e até dos pensamentos da pessoa que dizemos amar!
O ciúme é a doença do amor, é um profundo desamor a si mesmo e conseqüentemente um desamor ao outro, pelo ciúme se estabelece uma relação entre dominador x dominado. O ciúme é a dor da incerteza com relação ao sentimento de alguém no futuro. É a raiva de não possuir a segurança absoluta do relacionamento no futuro, é a tristeza de não saber o que vai acontecer amanhã. Alías, o que dói no ciúme, é a insegurança do futuro, é a insegurança do desconhecido. A loucura está aí, passamos a vida inteira tentando conseguir o que jamais conseguiremos: segurança... Pois ela não existe! Ser seguro não acabar com a insegurança, mas aceita-la como inerente à natureza humana. Ninguém pode acabar com o risco do amor, por isso só é possível estar em estado de amor quando sabemos estar em um estado de risco!
Desperdiçamos o único momento que temos que é o A G O R A,
em função de um momento inexistente: o F U T U RO ! Parece que as pessoas só valem para nós amanhã, no futuro. Nós não curtimos o relacionamento hoje com nosso cônjuge, com os filhos, com s amigos sofrendo pela possibilidade de um dia não sermos queridos por eles. O filho, por exemplo, parece que só nos é importante amanhã, quando crescer, quando se formar, quando casar, trabalhar, etc... Até hoje, não conhecemos um pai que estivesse preocupado com o futuro do filho que estivesse brincando com eles. Em geral, não tem tempo porque estão muito ocupados em assegurar aos filhos um futuro brilhante!
O ciúme é a incapacidade de vivermos a gratuidade da vida. Hoje é o primeiro dia do resto de nossa vida, querendo ou não! Hoje estamos começando, e viver é considerar cada segundo de novo, a cada dia o seu próprio cuidado, o medo daquilo que nos pode acontecer, tira nos a alegria de estar aqui e agora. O medo da morte tira a vontade de viver, o medo de perder alguém tira a beleza de estar com ela agora, alias quando se tem medo de perder alguém é porque pensamos que as pessoas são nossas, ninguém pode perder o que não tem.
Cada pessoa é única e exclusivamente dela mesma, podemos perder um livro, um isqueiro, uma bolsa, porém jamais podemos perder uma pessoa.
O sinônimo do medo de perder é a obsessão pelo primeiro lugar, colocamos nos ombros a tarefa impossível de sermos sempre os primeiros em todos os lugares e em todas as circunstâncias. Se for a casa, queremos ser o primeiro, se for ao trabalho, também o primeiro, num assunto específico queremos ser o primeiro, em outro assunto qualquer sempre o primeiro. O 1o lugar é amarelante, deteriorante, ao passo que o 2o lugar é esperançoso, é enverdejante, pois quando alguém chega ao cume da montanha só lhe resta um caminho a seguir: COMEÇAR A DESCER!!
No 2o lugar, ainda temos para onde ir, para onde crescer, a postura do 2o lugar nos leva ao crescimento contínuo, porque você se decreta em 2o lugar mesmo que esteja eventualmente o 1o lugar perante a sociedade.
O 2o lugar não em relação ao outro, mas em relação a nós próprios, ou seja, ainda teremos por onde crescer e melhorar. Você sabe por que o mar é tão grande? É porque ele teve a humildade de se colocar alguns centímetros abaixo de todos os rios do mundo, sabendo receber tornou-se grande, se quisesse ser o 1o e se colocasse alguns centímetros de todos os rios da terra, não seria o mar, mas uma ilha, toda a sua água iria para os outros, e ele estaria isolado...
Além disso, a perda faz parte, a queda faz parte, a morte faz parte, é impossível viver satisfatoriamente se não aceitamos a queda, a perda, a morte o erro, precisamos aprender a perder, a cair, a errar e a morrer. Não é possível saber ganhar sem saber perder, não é possível saber andar sem saber cair, não é possível viver sem saber morrer!
Em outras palavras, se temos medo de cair, andar será muito doloroso; se temos medo de morrer, a vida será muito ruim; se temos medo de perder, o ganho nos enche de preocupação!!!


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Esta é a figura do fracasso dentro do sucesso, pois quanto mais ganha, quanto mais melhora na vida, mais sofre. Para a pessoa que tem medo de ficar pobre quanto mais dinheiro obtém mais preocupado fica. Para a pessoa que tem medo do fracasso, quanto mais sobe na escala social, mais desgraçada é a sua vida.
Agora, se você aprende a perder, a cair, a errar e a morrer, ninguém o controla mais, pois o máximo que pode acontecer a você é cair, é perder, é errar, é morrer e isso você já sabe!! 
 

Publicações: 25/4/2010 - 0 comentário(s) [ comentário ] - [ ]
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 Amigos, amanhã eu pretendo começara discutir aqui sobre um assunto muito delicado e difícil, por assim dizer, por isso hoje não resisti em publicar essa oração que uma amiga me enviou por i-mail..espero que gostem eu adorei..

Beijo no coração de todas...




"Senhor, me ajude a nunca desistir de ser mulher.
Coloque um espelho no meio do meu caminho entre a lavanderia, o supermercado, o sapateiro, o colégio e a locadora.
E que, ao me olhar, eu goste do que veja.
Não deixe que eu passe uma semana sem usar um batom bem vermelho, uma bota bem alta ou um jeans bem justo. 

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Proteja meus cachos do vento e os brincos e anéis dos olhares invejosos. 
Nunca deixe faltar na minha vida comédias românticas e boas depiladoras.
Se eu estiver com vontade de chorar, faça com que eu chore um dilúvio.
E que tenha saído de casa sem pintar o olho.
Para cada dia de TPM, me dê uma vitrine com sapatos lindos.
Já que eu nunca pedi milagres, faça que minhas celulites sejam ao menos discretinhas.
Me dê saúde, tempo livre, silêncio.
E que nunca falte absorvente na minha bolsa.
Nos engarrafamentos, faça com que eu ligue o rádio e esteja tocando minha música preferida.
Dê forças para eu insistir que meus filhos comam salada, digam "por favor" e "obrigado", limpem a boca no guardanapo, façam as pazes e puxem a descarga.
Cegue meus olhos para as sujeiras nos cantos e os brinquedos no meio da sala (eles vão estar sempre lá, isso eu já vi).
Ajude para que eu chegue do trabalho e ainda consiga brincar, ver desenho, contar história ou fazer cócegas!
E se eu não tiver a menor condição de me manter em pé, faça com que meu filho chegue dormindo da escola.
Em dias difíceis, me dê persistência para seguir na dieta.
Dê também, firmeza para os seios...
Proteja minhas poucas horas de sono e não me julgue mal caso eu não acorde no meio da noite para cobrir meus filhos.
Não deixe que a minha testa fique tão franzida a ponto de parecer uma saia plissada.
E eu, uma louca estressada.
Faça com que o sol seja meu personal trainer, meu complexo de vitaminas, meu carregador de bateria, mas quando eu pedir um diazinha de chuva, não pergunte por quê.
Para cada batata quente no trabalho, me dê um café recém-passado.
Entenda que, quando eu rezo para cancelarem uma reunião (não é gastar reza à toa, pode ter certeza).
No meio de tudo isso, faça com que eu ache tempo para virar namorada de novo, ir no cinema, jantar fora, beijar na boca, dormir abraçadinha.
Ilumine o espelho do banheiro e proteja minhas pinças, meus cremes e segredos.
Ajude a não faltar gasolina e não furar o pneu e, por favor, afaste os motoqueiros do meu retrovisor.
Senhor, por pior que seja o meu dia, faça com que ele termine, e não eu.
Amém." 
 

Publicações: 23/4/2010 - 0 comentário(s) [ comentário ] - [ ]
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 Como um fractal que se entrelaça nas espirais galácticas, entramos na energia que irá reger a Terra, a nave que singra os céus do infinito em suas elípticas dançarinas, pulsando, a partir de seu coração de cristal e ferro, o doce amanhecer de uma nova vibração, mais intensa e brilhante.

 
 É a busca da entrega a um movimento muito maior que a nossa consciência, é esvaziar a si mesmo de todas as crenças & apegos para apenas estar presente ao movimento da própria vida, com a mente ágil e o coração pleno, tomando consciência de ser um ponto conectado a milhões de outros, formando a teia de luz que sustenta o intento da vida no planeta Terra. 

 A cada momento de quietude, a possibilidade de abrir o portal do êxtase. 

A Terra vem nos ensinar sobre a sincronicidade e o equilíbrio, sentindo a conexão com os reinos espirituais ao mesmo tempo em que nos conectamos, com atenção à energia da Mãe Terra, a cada passo, a cada momento. 
Encontrar o caminho interno que une esta incrível energia ao espírito, realizando o sonho sagrado planetário. 

 Trazer a inteligência ativa, a mente ágil e receptiva para dançar com a vida, metamorfoseando o aqui e agora, confiando na própria intuição para descobrir o seu contato com o inefável, cada dia mais presente. 

Se deixar levar pela sabedoria interna que existe em seu coração, sempre existiu. 
Pois a essência humana é puro Amor e Doação. 
Nada mais, nada menos. 
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E, ao fluir com o vento do espírito, encontramos o verdadeiro nascimento de nossa alma, e as pistas do caminho se tornam claras, precisas, anunciando um novo dia, uma nova vida. 

Basta se reconectar com o seu silêncio, o seu coração. 

Impossível controlar o fluxo da vida, talvez a maior ilusão na qual estamos imersos... e  nos embaraçamos cotidianamente aviltando com nossas expectativas e apreensões  o maior presente que recebemos : a vida.
 E que ela resplandeça, em sua profunda beleza.
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Que a sinergia de nosso espírito livre nos leve a encontrar o nosso lugar na roda da vida.
Que as tribos renasçam no coração de cada ser que dança o caminho vermelho.
Que percebamos que o grande sonho sagrado é a própria vida.
Nada a alcançar e tudo a realizar, dentro e fora de si.
Que nos juntemos para agir em favor da vida, de sua preservação, em todos os lugares de nossa Mãe Terra.
Que tenhamos tempo para ouvir e dar amor para a nossa própria criança interna.
Que nosso feminino e masculino reencontrem o equilíbrio e o companheirismo para tecer um novo caminhar
Um caminhar em que não importa ter, mas simplesmente ser.
Que não se pensa sobre, que não teoriza, mas que se deixa levar pela sensação da brisa tocando a pele, em pleno êxtase de estar vivo.
Que o nosso ego, que sempre nos volta para fora, que quer qualquer coisa, que tem orgulho de conquistar, tire umas férias muuuuuuuuuito longas.
E que o nosso coração brilhe infinitamente, criando ondas de beleza e sementes de luz para nós e todas as gerações vindouras.
 
omita koyoasin
pilamayhe
 
Para todas as minhas relações
 
Wise Buffalo Woman
 
 
 

Publicações: 22/4/2010 - 0 comentário(s) [ comentário ] - [ ]

 A depressão geralmente é uma doença devastadora. Todos nós sabemos que a depressão clínica afeta o humor, os padrões do sono, o apetite, a motivação e até a vontade de viver. Mas o que muitas pessoas não se dão conta é do grau que os transtornos depressivos afetam os relacionamentos. Um casamento em que um dos parceiros está com depressão, tem nove vezes mais propensão de acabar, do que um onde não exista a depressão.

Esta estatística marcante não é o único fator a indicar o quão destrutivo pode ser uma depressão clínica para os relacionamentos. As relações íntimas das pessoas com depressão são mais estressantes e mais rodeadas de conflitos do que das pessoas não depressivas; brigas e desentendimentos são muito mais comuns. Neste contexto, não é uma surpresa que a depressão – e os problemas sexuais causados pela depressão – seja a razão mais comum dos casais que procuram uma terapia. Aproximadamente 50% das mulheres depressivas reclamam de sérios problemas dentro do casamento.
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Os parentes de pessoas deprimidas também sofrem de preocupação excessiva, raiva e exaustão.
Pessoas que convivem com um indivíduo deprimido estão mais propensas à depressão e têm um risco maior de desenvolver outros problemas emocionais, como ansiedade e fobias.
Como um sofredor da depressão clínica, presenciei o dano feito aos entes queridos. Eu costumava me sentir sem forças para ajudar, especialmente quando estava me esforçando tanto para me curar.
Felizmente, podemos aprender técnicas para combater estes efeitos “secundários” da depressão e ajudar a preservar relacionamentos importantes e permanecer otimista em relação à recuperação.
Por que a depressão leva as dificuldades tão severas de relacionamentos e até prejudica a família e os amigos? Pense um pouco. Se você está sozinho e nervoso porque sua mulher tem estado triste nas últimas semanas e nunca quer estar perto de você; em determinada situação, você pode responder ao pedido dela para ajudar a limpar a casa com um suspiro ou um olhar insatisfeito. Ela percebe sua raiva e se sente sem apoio, mais desamparada e deprimida – reações que alimentam sua raiva e sua solidão.
Pesquisadores descrevem este tipo de interação como um espiral depressivo decrescente, onde sua reação ao comportamento da pessoa que você ama pode piorar a depressão ao invés de trazer alívio.
Os estágios iniciais deste ciclo decrescente podem adquirir muitas formas. Uma das possibilidades é que você se sinta culpado em relação à sua raiva pela esposa, mas não fala diretamente sobre o que está sentindo e ela percebe que está ocultando seus sentimentos. Resultado: a comunicação entre vocês dois começa a se desfazer; ou você expressa sua raiva muito livremente, e com isto ascende o pavio já curto de sua esposa, fazendo com que uma conversa construtiva seja impossível. Sabemos que, quando as brigas são muito inflamadas, elas não resolvem nada. O que não percebemos, talvez, é o fato de que este tipo de interação leva inevitavelmente ao aumento da depressão e à desesperança para nós mesmos e para quem amamos. É quase como um ritmo de dança no quais as duas pessoas se encaixam, e cada passo do parceiro afeta o seu. Se você e seu parceiro deprimido estão tendo problemas de relacionamento, as chances são de que você já está interagindo nesta dança depressiva.
Dr. Laura Epstein Rosen, psicóloga, também acredita que o relacionamento de pessoas depressivas passa pelo que chamamos de Etapas de Adaptação à Depressão (EAD). Da mesma maneira que um bebê passa pelo desenvolvimento gradual – aprender a engatinhar e depois a andar – os relacionamentos passam por estágios em resposta à depressão. Assim como ao desenvolvimento de um bebê, as etapas de EAD podem ocorrer em tempos diferentes para relacionamentos diferentes, com as etapas nem sempre distintas e isoladas umas das outras. A característica de um comportamento prévio pode persistir à seguinte etapa, como quando a criança já anda, mas continua a engatinhar às vezes. E mesmo que em algum momento uma pessoa possa regredir a uma etapa inicial, progridem essencialmente na mesma seqüência. Em cada nível, decisões precisam ser tomadas e isto pode influenciar o curso da depressão e.
seu efeito no relacionamento com a pessoa depressiva.
Existem quatro etapas de adaptação:
1. Problema: nesta etapa, um ou os dois indivíduos do relacionamento percebem problemas de interação.
Alguma dificuldade nova apareceu ou uma antiga retornou. O problema pode variar em uma mudança na quantidade ou qualidade de tempo gasto com brigas maiores e cortes na comunicação.
2. Reação: a reação inicial ao problema pode ser consciente ou inconsciente, como um reflexo. Um ou os dois parceiros reagem ao problema, construtivamente ou destrutivamente.
3. Reunindo Informações: agregar informações sobre o problema pode dar forma à conversa com o parceiro ou com pessoas fora do relacionamento, sobre suas idéias acerca do problema. Isso permite verificar sobre como a doença está causando ou contribuindo para o problema ao invés de defender falsas conclusões como: “ela está desinteressada em sexo porque está me traindo”, “ela está na cama durante o dia todo porque é egoísta e preguiçosa”, ou “ele não se lembrou porque não se preocupa comigo”.
4. Resolvendo o Problema: aqui, estas informações são utilizadas para desenvolver um novo plano de ação, o qual leva a uma resposta menos automática, como sentimentos de rejeição e dor, que conduz, por sua vez, a respostas mais conscientes, como relacionar o problema à depressão e tentar resolve-lo. Se o plano de ação estiver baseado no problema errado, ou seja, o casal não reconhece a depressão como uma criminosa, o resultado desta etapa será ineficaz para a resolução do problema. Se a causa do problema é identificada corretamente como depressão, haverá uma solução eficaz para o problema do relacionamento.
Nossas experiências e pesquisas clínicas sugerem o seguinte guia para os entes queridos de alguém que está sofrendo de depressão:
Publicações: 20/4/2010 - 0 comentário(s) [ comentário ] - [ ]
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A morte de um filho deixa uma dor eterna

Vazio absoluto. Um nada sem chão, teto ou paredes. Mais que um poço fundo, o fundo sem o poço. A falta de ar. O desespero. A desesperança. Irracional, ilógico, inaceitável.

As palavras e imagens mais fortes não são capazes de definir, o luto de uma mãe que perde um filho. 

A morte de um filho deixa cicatriz indelével, uma dor eterna. É a pior situação humana, não há perda maior.

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Não tem nada de simbólico para que eu possa elaborar essa perda. Eu morri junto mesmo! 


Mas é “antinatural”, a morte imprevisível de um filho é a que nos desestabiliza.

 O “To sem chão” é hoje uma frase que especifica muito bem o que sinto nesse um ano de três meses, de vazio absoluto.

Angústia, revolta, dor, desespero, impotência, tristeza.
 
 Não existem palavras para definir a perda inesperada de um filho na adolescência.  
Diante de tanto sofrimento, esquecer jamais.
 
 Reinvestir amor e esperança na vida é um caminho a ser alcançado, por mais impossível que possa parecer. 
 

Publicações: 19/4/2010 - 0 comentário(s) [ comentário ] - [ ]
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 Talvez seja um convite do tipo “vamos falar da morte”, esta que é tabu maior que o sexo; maior ainda quando se trata da morte de um filho - dor que se recobre em silêncio, por se tratar de uma dor inominável.

COMO OPERAR A PARTIR DO NÃO-SENTIDO DO REAL QUE A MORTE EVOCA E CONSEQÜENTE FALTA DE REPOSTAS QUE ADVÉM EM MOMENTOS COMO ESTE?

O luto é um longo caminho, que começa com a dor viva da perda de um ser querido e que segundo alguns, pode ser visto como um lento e penoso  processo de desamor em relação a quem se foi, ou seja,  a pessoa enlutada não esquece nem deixa de amar o morto, mas passa a amá-lo de outra forma; amor esse, permeado por uma saudade enorme e envolta por uma dor indizível devido à perda abrupta e inesperada. É quando duas situações se encontram absolutamente inseparáveis: o amor e a dor. Amor pelo excesso de investimento colocado na pessoa que se foi, e dor porque esse suporte real nos deixou. O sentimento de abandono e o caráter definitivo de sua ausência são o que posso chamar de mais devastadores que se tem ao se deparar com a realidade da mais pura falta, do mais enorme vazio.
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Assim escreve Nasio:
“As manifestações da dor - abatimento, grito e lágrimas - a mantêm como se a pessoa que sofre estivesse arrastada pelo desejo inconsciente - um desejo que nada tem a ver com masoquismo - de viver a prova dolorosa             (...) Querem sofrer porque a sua dor é uma homenagem ao morto, uma prova de amor” (O livro da dor e do amor; pág. 65).
As perdas costumam ser nomeadas para que possam ser minimamente suportáveis. Ao perder uma mulher, alguém passa a ser viúvo; aquele que perde os pais, órfãos; os que chegam a se separar, divorciados; mas as mães que perdem seus filhos não encontram sequer algo para nomeá-las. Lembro de uma amiga, psicanalista a quem sou muito grata por todo apoio recebido nesse período de luto, que me contava sobre os pacientes que sofriam da dor fantasma, que se trata de uma dor que acomete os pacientes que  perderam um membro: tal dor é um dos maiores desafios para os médicos, estes não encontram um anestésico capaz de aliviar o sofrimento dos pacientes. O membro perdido, seja uma perna, enfim, não está mais no corpo, porém, o “membro fantasma” lateja, coça, aquece, esfria, dói, enfim a dor é viva  presente embora o membro esteja ausente, morto... Com o tempo os pacientes podem aprender a conviver com a ausência que lateja. Penso que a dor da perda de um filho é próxima dessa, vivido por esses pacientes sofridos, me dizia ela. Ora, estamos falando de um membro do corpo, que dirá de um filho saído de nossas entranhas que como diz o poeta Chico Buarque: “Oh,pedaço de mim, oh ,pedaço am****do de mim”. É uma mutilação. Quando falava disso na minha análise, o analista interveio: “Daniel não era um pedaço de você, ele era uma pessoa com personalidade própria, fez seu próprio caminho”. Senti-me desautorizada na minha dor. E pensava: os analistas homens que nunca portaram um filho no seu ventre podem dizer alguma coisa sobre isso?
 A perda de um filho no desabrochar da juventude de forma trágica e inesperada coloca qualquer sujeito diante de uma dor inominável e indizível.
O estranhamento e distanciamento do mundo sob a forma de uma dor alucinante derivado do próprio trabalho de luto não parecem combinar com a posição que o analista deve em circunstâncias normais,fora do circuito traumático.
Não raro algumas pessoas deixam de lado a sua dor jogando-se no trabalho de forma obsessiva quando este trabalho ritualista opera ações repetitivas e mecanizadas. Outras buscam na religião, um consolo possível. O que dizer do ofício de analista que não é uma profissão como outra qualquer e que exige que ali o sujeito dê provas de sua análise?
No período mais nebuloso da dor do luto que possibilidade há - se há alguma - de  ouvir um outro, de se disponibilizar a escutar queixas comezinhas como, por exemplo, medo de se afogar no chuveiro enquanto o analista atravessa uma dor imensurável? No filme “O quarto do filho” que relata a experiência da morte de um filho de um psicanalista, este se vê na condição de se afastar da clínica por tempo indeterminado. A reação dos pacientes neste filme italiano, muito bem dirigido, nada piegas e verdadeiro, é a mais diferente possível a partir do percurso de análise de cada um e da transferência estabelecida com esse analista em particular.
O osso mais duro de roer por certo. Quando perdi meu filho a sensação era de que o mundo havia caído sobre a minha cabeça e que eu não conseguiria suportar. A vida se torna realmente impossível diante deste sofrimento. Sentia-me no dever de aparentar "força" quando  não a tinha, pois estava dilacerada e devastada pela dor. Como poderia mostrar fragilidade, chorar em público, no meio da rua, pudesse eu superar com dignidade a dor de existir? Como esconder a indiferença ao mundo, o alheamento, a falta de interesse pelo mundo e a própria falta de lugar de uma mãe diante de tal acontecimento?
O luto não é terapeutizável, não há remédio para essa dor. Lembro de uma revista que li, cujo título da reportagem era: “A dor que não termina”. São relatos de pais que perderam seus filhos de maneira trágica e os relatos da reação particular que cada um teve. Desde aquele que ao ver seu filho morto por atropelamento e que o carrega nos braços para ser morto pelos carros que passavam, como aquela mãe que se recusou a comer desde a perda de sua criança vindo a falecer 4 meses depois de inanição. A reportagem começa justamente falando que o luto de quem perde filho é diferente de qualquer outro... e pode tornar-se insuportável o peso de tocar a vida adiante. A morte é sempre motivo de angústia e  tristeza, mas a morte de um filho é uma tragédia contra a natureza, um desastre além da razão.
Vivemos em um período desbussolado onde não se pode mais, como antigamente, encarar a tragédia como vontade de Deus. Diante de uma determinação superior, restava apenas se conformar. As mães, no passado eram poupadas de qualquer tarefa por um período de no mínimo um ano para se recolherem. Não há mais tempo para resguardo, nem para recolhimento. A licença de uma semana (até o sétimo dia) é o que é amparado por lei. Os tempos modernos, onde impera a ditadura da alegria não oferece espaço nem lugar para a dor, especialmente uma dor como essa. “Reaja!”, “Seja forte!”, “Não fale mais no assunto!”, “Aprenda uma lição com sua dor!”, “Não fique paralisado pela dor!” “Enfrente!”, são imperativos ouvidos a toda hora e só posso aqui dar meu testemunho de como essas frases me incomodavam. Portanto, nada de fórmulas, ou de dizer como alguém deve reagir... ou fazer... ou dizer... Aliás, não há muito o que dizer. Aliás, não há nada o que dizer.
A morte é tabu, e ninguém quer falar dela. A morte ninguém sabe o que ela é. A morte assusta e horroriza. A morte de um filho é algo de difícil materialização.
O seu desaparecimento súbito provocou em mim uma série de questionamentos acerca de tudo à minha volta.  Com a morte de seu filho,  é imperativo voltar a viver!  Essa dor da perda de um filho não é uma dor qualquer. Implica numa longa travessia de luto, reinventar a vida a cada dia e conviver diariamente com a ausência de respostas, e sair  em busca de algumas outras que estejam ao alcance de quem passa por isso.
 Tudo se tornava de um dia para o outro insuportável e qualquer mínimo detalhe me fazia lembrar do meu filho. Não conseguia me envolver com nenhuma atividade que realizava e tampouco poderia “volver” atrás, trazendo meu filho de volta. Essa certeza implacável tornou-se um tormento a ponto de meus familiares se incomodarem com meu recolhimento e isolamento, posições essas que me eram possíveis naqueles tempos tão doloridos e sem palavras.
Outro ponto que quero marcar é sobre a seguinte questão: que tempo para o luto? É sabido que o luto é muito parecido com a depressão-afetivamente falando - mas esta é sem a perda real do objeto.Há uma cobrança diante do luto estrondosa no que diz respeito ao tempo. “Você ainda está chorando deste jeito”; ou: “não chore, pois seu filho vai sofrer ainda mais”... Parece que só nessas horas aprendemos o que não dizer a alguém que perde um filho. Há um jogo social no sentido de quererem lhe empurrar goela abaixo uma fórmula, que não há; há de ser reinventada caso a caso.
Que lugar para uma mãe sem o seu rebento? Não reintegrarás o seu produto está no texto bíblico, mas como se desfazer de tantos sonhos ao mesmo tempo, de tantos projetos, de tantos investimentos? Como lidar o que nunca mais será? Ou com aquilo que jamais poderemos entender ou explicar dia após dia, noite após noite. Como suportar a falta de luz, que não há, e sem um dedo apontando o caminho, posto que essa destituição é própria da morte em si mesmo?

COMO DIZER COMO OUTRORA: “SOU FELIZ O BASTANTE” ?!?

O provérbio judaico que prega “cuidado com o que desejas, pois isto pode realizar-se” aqui é fora de questão, pois é impensável para uma mãe enterrar seus filhos.Isto é anti-natural. As mães não deveriam chorar a morte de seus filhos. Ao concebê-los, deveriam receber, com carimbo do céu e assinado por Deus, uma certidão de garantia, para vê-los crescer, sempre saudáveis e felizes.
Ao lado deles, poderiam comemorar suas vitórias, suas conquistas, e depois de muito tempo, quando sentissem a conclusão de seu ciclo de vida, elas teriam o direito de serem veladas por seus filhos, todos eles, a fim de seguir feliz sua viagem de reencontro ao Criador. Os filhos, para as mães, deveriam ser sempre vivos, pois não foram concebidos para a morte, mas para a vida. Nada neste mundo é mais triste, mais doloroso do que choro de mãe que perde um filho.
Elas não merecem isto. Nunca mereceram. Jamais merecerão.araretamaumamulher.blogspot.com/2010/04/talvez-seja-um-convite-do-tipo-vamos.html

Publicações: 18/4/2010 - 0 comentário(s) [ comentário ] - [ ]
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 'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado,  decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!

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E, entre uma coisa e outra, leio livros.

      Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.

      Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.

      Primeiro: a dizer NÃO.

      Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.

      Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

      Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros..

      Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.

     

      Você é, humildemente, uma mulher.

      E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.

      Tempo para fazer nada.

      Tempo para fazer tudo.

      Tempo para dançar sozinha na sala.

      Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.

      Tempo para sumir dois dias com seu amor.

      Três dias..

      Cinco dias!

      Tempo para uma massagem.

      Tempo para ver a novela.

      Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.

      Tempo para fazer um trabalho voluntário.

      Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
      Tempo para conhecer outras pessoas.

      Voltar a estudar.

      Para engravidar.

      Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.

      Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

      Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.

      Existir, a que será que se destina?

      Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

      A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
      Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si..

      Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!

      Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
      Mulher que se sustenta fica  muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.

      Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
    
      E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante' 


      Martha Medeiros - Jornalista e escritora
 

Publicações: 18/4/2010 - 0 comentário(s) [ comentário ] - [ ]
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 As restrições impostas pelas condições econômicas e culturais ainda contribuem para que as mulheres identifiquem o casamento e a maternidade como seu principal meio de reconhecimento social. Apesar das modificações no âmbito familiar, provocadas, dentre outros aspectos, pela maior presença da mulher no mercado de trabalho, o espaço doméstico continua a ser considerado como predominantemente feminino. Em geral, espera-se que esta cuide dos filhos e da casa, sem questionar as dificuldades inerentes a essas funções. No próximo tópico, discute-se como a maternidade era muitas vezes sentida como um peso em função das responsabilidades que representa.

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Ao se tornarem mães, as mulheres podem ter dificuldade em reconhecer seus sentimentos ambivalentes em relação aos filhos e sua criação. Receiam ameaçar a imagem de "boa mãe", à qual esperam corresponder. Quando não cumprem tal expectativa, tendem a se culpar pelas dificuldades que os filhos apresentam durante seu desenvolvimento.
Em geral, os sentimentos ambivalentes da mulher sobre a maternidade são considerados como problemáticas pessoais sem relação com o contexto social no qual ela está inserida. A pouca informação e a ausência de assistência podem ser percebidas pela mulher como uma realidade individual, com a qual precisa arcar sozinha. Na medida em que não se dá conta de que essa situação é comum a outras mulheres, que também carecem de suporte familiar e social, seu sofrimento tende a ser maior, o que pode contribuir para a ocorrência e agravamento de sentimentos categorizados na literatura médica como sintomas depressivos, a exemplo da culpa e da auto depreciação.
Ao se casarem, diversas mulheres tinham de aprender por conta própria a criar os filhos. Sem assistência e inexperientes nessa tarefa, algumas se culpavam pela morte prematura deles.
Noções culturais sobre a maternidade têm impacto sobre todas as mulheres, mesmo as que não tiveram filhos. Culturalmente consagrada na maternidade, à mulher vê-se impelida a realizar a maternagem de irmãos mais novos e sobrinhos. Assim, arca com as responsabilidades inerentes a esse papel, ainda que, muitas vezes, não haja um reconhecimento de seus esforços. É possível concluir que as funções que a mulher tradicionalmente desempenha não tendem a ser socialmente valorizadas. Entre as participantes, a aprendizagem de eventos relacionados ao feminino ocorreu sem o necessário esclarecimento e suporte às suas dúvidas. Na seção seguinte, as implicações desse quadro podem ser percebidas na relação conjugal.
 Um sentimento de fracasso por não conseguirem manter uma relação conjugal satisfatória. Atribui o término do casamento à sua exclusiva responsabilidade. A falta de êxito em atender às necessidades masculinas justificaria a traição e, conseqüentemente, a separação conjugal.
Subjacente à auto depreciação descrita, encontra-se o que considera ser o papel de uma boa esposa: não questionar. Ao demonstrar seu incômodo face à traição, acreditava ter possibilitado a separação.  Culpa-se por não ter sido o ideal de esposa que havia projetado ser durante sua infância. Após a separação, tem dificuldades em estabelecer outros projetos para si. Ressente por não ter conseguido manter o casamento e, portanto, fracassar como mulher. Acreditando que não tinha mais o que oferecer aos outros e, sobretudo, a si própria, não reconhece mais seu valor.
 Não sabe como buscar outros referenciais para si, além dos que recebeu como o de ser uma "esposa compreensiva". Há uma dificuldade concreta, imposta pela degeneração visual, e simbólica, de perceber outras possibilidades de significação de suas relações e projetos de vida.
A autoridade masculina parece justificar que o marido utilizasse o que é denominado, segundo a OMS, como violência psicológica perpetrada por parceiro íntimo – intimidação, constante desvalorização, humilhação. Embora através de insultos e traições se veja depreciada como mulher, sente que não lhe resta outra opção a não ser submeter-se. Terminar o casamento implica que ela falhou em se conformar às exigências conjugais.
 A influência do modelo patriarcal sobre a família contribui para que as mulheres continuem a ser subjugadas pela dominação masculina, que é sentida sobre seu corpo.  É na materialidade do corpo das mulheres que todos os poderes e desprazeres se cruzam. A dominação sobre o corpo tende a ser percebida como uma expropriação pelas vítimas da violência conjugal. Com a expropriação do corpo, a ocorrência de sentimentos como a humilhação tende a contribuir para que a mulher apresente uma baixa auto-estima. Isto favorece a constituição de sintomas depressivos em etapas posteriores da vida.
Uma das formas mais comuns de violência contra as mulheres é a praticada por parceiro íntimo (OMS, 2002). O fato de as mulheres, em geral, encontrarem-se emocionalmente envolvidas com os parceiros que as vitimizam e dos quais dependem economicamente, tem grandes implicações sobre a dinâmica do abuso, o qual pode ser: físico, sexual e psicológico. A OMS indicou que, apesar dos estudos sobre a violência de gênero se concentrar no abuso físico, para muitas mulheres o abuso psicológico é ainda mais intolerável.
As justificativas culturais para a violência conjugal geralmente decorrem de noções tradicionais sobre os papéis característicos de homens e mulheres. Estas noções estabelecem que as mulheres devam cuidar dos filhos e de seus lares, mostrando obediência aos maridos. Se um homem considerar que a mulher não cumpriu seu papel ou ultrapassou os limites, pode utilizar a violência como resposta (OMS, 2002). A mulher fica, assim, exposta a uma situação de violência perpetrada por uma das pessoas que lhe é mais cara em seu ambiente familiar e em sua vida. A ambigüidade é configurada quando o parceiro, que supostamente deveria zelar pelo seu bem-estar, é quem a mantém subjugada física, psicológica e sexualmente. 
A violência conjugal, fato presente na vida de muitas mulheres retira não só seu direito enquanto cidadãs – como o direito de ir e vir – mas o domínio sobre o seu próprio corpo. Com a expropriação do corpo, muitas se calam face à violência sofrida pelo receio de que a denúncia abale o equilíbrio familiar, o que contribui para a manutenção das agressões. Este silêncio pode perdurar por vários anos, trazendo graves prejuízos à saúde física e mental da mulher.
A raiva, a mágoa, a frustração são muitas vezes silenciadas pela mulher para a manutenção dos vínculos familiares. Considerando que o momento de "largar" o marido em função da violência sofrida havia passado porque o seu próprio tempo já passara. Já "velha", não tem condição de separar-se. Sente que deve deixar a agressão sexual no passado, mantendo em segredo a violência sofrida.
O sentimento de fracasso conjugal e a situação de violência perpetrada por parceiro íntimo são aspectos que denotam como algumas mulheres tendem a se perceber de um modo pouco favorável. As freqüentes auto-recriminações tornam difícil a tarefa de identificar um saldo positivo em suas escolhas e realizações ao longo das etapas que antecederam à maturidade. Neste período, esta dificuldade vai ser configurada na queixa depressiva que as motivou a procurar tratamento.
Conforme se pôde perceber, cada sentido relacionado à depressão fundamenta-se na construção de papéis sociais. Como propor alternativas às implicações desses papéis sem negligenciar a importância que representam em suas vidas? Este desafio aumenta, conforme os depoimentos, quando se considera que as mulheres aprenderam a atrelar seu valor pessoal à maternidade e ao casamento.
Se a depressão está – ao menos em parte – relacionada às perdas e dificuldades enfrentadas, é preciso conferir crédito ao que vivenciaram em sua trajetória. Sem esse cuidado, o psicólogo no atendimento a mulheres na maturidade com diagnóstico de depressão tende a contribuir para a manutenção de estereótipos e preconceitos relacionados às dificuldades que enfrentam ao longo de seu ciclo de vida, marcadas, não raro, pela ausência de suporte social. Caso favoreça uma necessária acolhida à expressão dessas dificuldades, é possível que se depare com relatos de sofrimentos partilhados após anos ou décadas de segredo.
 

Publicações: 16/4/2010 - 0 comentário(s) [ comentário ] - [ ]
Category: Outros

 A terra não sorri
mas ampara meus passos

 
 
 
de hoje sofrer
me lembro do que é cíclico
os dias de chumbo
a lama do fundo
lamber a lembrança
de pequenos relâmpagos
sofrer sofreguidão
- só isso?                                                 
reinventar o mesmo
em tudo o que se ama
lembrar feridas
e perfumes dos momentos                        
essa minha curta longa vida
involuntária
é assim aos tropeços
e se há esquinas onde
às vezes me firo tanto
é porque é preciso
e se tateia na dor
o despertar da ânsia viva     
vislumbre de algum
futuro encanto
o resto é concreto muro
cinza, rachado e duro
que o sonho
não está onde é sonhado
mas onde é pensado
com insistência e arte
esse o rito
içar a dor sombria
e se fazer ao mar
como alguém que ao ficar
finge que parte
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