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Publicações: 26/6/2010 - 0 comentário(s) [ comentário ] - [ ]
Category: Outros

 Na verdade muitos anos depois do meu casamento ter acabado, eu ainda sentia medo do meu ex-marido. Aquele medo terrível, de que as pessoas fossem descobrir algo, a meu respeito.


Hoje fico me perguntando descobrir o que?
 
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Jamais me senti digna de reclamar, de dizer o que estava sentindo. Alias era proibido isso na minha infância. 

O fato de me sentir o bode expiatório em uma família desestruturada, desajustada, e totalmente insana, não podia de forma alguma ser reclamado. Eu ainda deveria era me sentir feliz, por eles ser tão religiosos.
 
Assim aprendi a fugir, e a esconder no meu corpo, toda a dor, todo medo, toda a humilhação.
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 Aprendemos um modo de viver, ou melhor, de sobreviver às adversidades, e nos adaptamos a ele de tal forma que depois fica muito difícil sair. Sermos transformados. 

Sempre me senti incapaz de cuidar de mim, sempre ter alguém que me amparasse, e por isso me vi incapaz de cuidar dos meus filhos também. Foi por isso que nunca entrei judicialmente contra o pai deles, por não me achar digna de cuidá-los, ou capaz de fazê-lo.
 
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Assim fui me tornando alguma coisa solta, sem uma estrutura, sem historia, sem um grupo, ao qual eu pudesse dizer que fazia parte.

Nunca me senti parte da minha família, nunca me senti filha da minha mãe, irmã dos meus irmãos, filha do meu pai.
 
Sobrinha das minhas tias, neta da minha avó. Eu sempre tive comigo a certeza de ser uma presença incomoda para todas essas pessoas.
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 E, por conseguinte nunca me senti namorada, esposa, mãe de ninguém... 

Na verdade não conseguia me sentir parte integrante da vida.
Isso me levou a me valorizar tão pouco, me sentir pouco, ou melhor, não digna, me sabotar e não me preocupar em cuidar do meu ser.

Eu sempre fui de encontro com as humilhações, com a vergonha, e com o medo, por achar ser isso a única coisa que eu merecia receber da vida.
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 Não eu não tinha a menor consciência de tudo isso até passar por um processo longo de terapia, até conhecer o Pathwork eu não sabia de nada disso, eu simplesmente vivia esse drama, sem nem saber que isso era um grande drama. 

Não tinha a menor consciência do quanto essas minhas atitudes me prejudicavam, e prejudicava a todos ao meu redor, principalmente aos meus filhos. Tinha o péssimo habito de achar que isso não causava dor em mais ninguém a não ser em mim. Achava que minha ferida estava tão bem guardada, escondida em quilos e mais quilos de gordura, que ninguém era capaz de percebê-la.
 
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E que se alguém tentasse vê-la ainda tinha a cortina de fumaça dos meus cigarros.

Foi preciso me olhar no mais fundo do meu ser e assumir o que eu era e o que eu queria me tornar.
 

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